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Meu doce amor

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Meu doce amor,

Ao repetir essa frase “meu doce amor”, me dou conta de que é impossível pronunciá-la sem sorrir ….. a mistura de “doce” com “amor” resulta em um tom de voz sereno e gentil. Assim como você é. Assim como tudo em você é. Isso me faz querer compor uma música de uma frase só….

Me realizo neste pronome onde você, primeira pessoa tão singular, se faz minha com apenas três letras. Depois traduzo todos os seus predicados em uma única palavra. Palavra sinestésica que aguça os sentidos, dilata as pupilas e faz querer lamber os dedos de prazer. Então vem você, o sujeito da oração. Oração que eu faço todos os dias para que este amor nunca falte e jamais falhe.

Ainda sinto nos meus lábios, o gosto do seu amor.

[…]

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Minha única possibilidade

olhos_007Sem dúvidas foi o brilho. Da luz que emanava daqueles grandes olhos que atravessavam a longa mesa e corria em minha direção me tomando de claridade. Uma luz que dissipava toda a escuridão de dentro de mim e me mostrava coisas lindas que eu mesmo desconhecia.

Aqueles olhos me olharam como nenhum outro jamais me olhou. E como jamais serei olhado novamente. Pois daquele olhar só existe um, o seu.

Fiz então dos seus olhos a minha lanterna. Para me guiar por lugares onde jamais tinha visitado. Descia cada vez mais fundo por sentimentos que me traziam segurança, proteção e conforto.

No caminho fui envolvido por uma doçura de arrebatar o coração para outro plano. Rompendo a gravidade até descolar meus pés do chão. Nos seus braços, senti o aconchego de colo e o fôlego de vida.

Foi a partir daquele olhar em que eu passei a descobrir a verdadeira vida. Aquela que nasce no e do encontro. Um encontro de almas. Um encontro marcado.

Em você eu descobri a mim mesmo. Com você eu aprendi a conjugar a primeira pessoa do plural. Mas foi por você que eu fiz do voltar minha maneira de não ir.

Tudo para que aquele olhar continuasse a beijar meus olhos, enchendo de borboletas a minha barriga e de sinos os meus ouvidos.

Daquele olhar ficaram três coisas: a surpresa do entregar-se, a sinergia do encontro, e a minha única possibilidade de poder me ver refletido nos seus olhos novamente.

P.S: desafio aceito! Desta mesma fonte também jorra outras inspirações além de dor e sofrimento.

“O boneco de neve” nos relacionamentos |Frozen e Psicologia

sad-snowman-by-mgshelton-800x586Sabia que um “boneco de neve” pode salvar um relacionamento? Depois de ler este texto, certamente você entenderá a importância, e por quê não, necessidade de um boneco de neve entre duas pessoas!  Principalmente se você se sente isolado… Refém de suas feridas não curadas… Distante dos outros e de si mesmo….

Se você tem um “amigo de um primo nessa situação” talvez seja a hora de você, quer dizer, dele conhecer a história da coadjuvante Anna, irmã da protagonista Elsa. Sim estou falando da animação Frozen (2013) e o quanto ela pode ensinar sobre a psicologia dos relacionamentos. Não! Esse assunto não é para crianças, embora venha de uma a “moral desta história”….

A primeira vez que eu vi o filme Frozen foi a convite de uma criança de 5 anos. O filme já havia começado e aquele pequeno já tinha as falas decoradas para me atualizar. Como bom jornalista, fui investigar o que naquela história causava tanta excitação nas crianças [e prejuízos para os pais]. Nem meu sobrinho escapou da versão congelada do “Mito do Rei Midas”.

Não vou, aqui, fazer apologia à Disney, do contrário, até me assusta a letra de “Livre Estou” (Let It Go), cantada repetidamente por milhares de crianças.

O filme foca totalmente nas desventuras de Elsa, que “amaldiçoada” congela tudo o que toca. Então, se isola da família e amigos em um quarto de onde vê o mundo através de uma janela. Sua angustia é tamanha que ela não sai e nem deixa a irmã entrar. Elsa decide não ter contato com seus problemas e também não deixa que os outros se aproximem dos conteúdos dela.

Recentemente algo naquele filme me chamou atenção. Mais especificamente a cena em que Anna, a caçula, canta “Você Quer Brincar na Neve?” (Do you want to built a snowman?).

Veja a Cena:

É nesse momento que a pureza da infância quebra as barreiras emocionais e rompe com as defesas da irmã mais velha. Movida pelo amor e saudade da irmã, Anna bate na porta do quarto de Elsa e a convida para “Construir um Boneco de Neve”. Repare que ela não estendeu um ombro para irmã chorar, nem lhe ofereceu um remédio ou livro de autoajuda. Para uma criança a maior cura é brincar! Brincando se esquece dos problemas, interage com o mundo da fantasia. Brincar é o melhor convite de uma criança, é onde ela pode se expressar livremente. Uma abordagem simples e altamente estratégica. [Os adultos, nesse caso, quase sempre optam em focar no problema e no sofrimento[. Ignorada, Anna começa a relembrar a irmã de coisas boas, e finaliza da melhor maneira possível: se colocando à disposição de Elsa, respeitando o tempo dela e mais, o jeito dela…. Nesse momento, “já não precisa – necessariamente – fazer um boneco de neve”.

Diante da negativa, em vez de frustrar-se a caçula contraria “seus próprios direitos” e insiste mais uma vez em convencer a irmã a abrir a porta. Novamente recebe em troca o silêncio. No entanto, aquela porta na cara não foi suficiente para suplantar o amor de Anna e, pela terceira vez ela insiste com Elsa. Muda os argumentos e num ápice de maturidade começa a compartilhar do próprio sofrimento causado pela ausência da irmã. Dizendo como a ausência dela é sentida. Em sua última frase, Anna – mais uma vez – propõe “construir um boneco de neve?”

Para as “Elsa’s”, as vezes tudo o que se precisa é de um convite para “brincar”. O boneco de neve representava para aquele relacionamento um objeto de vínculo de boas lembranças da infância. Para construir um boneco de neve é preciso ir para fora, expor-se, entrar em contato com a neve, com o mundo e com os próprios conteúdos [leia-se emoções, memórias, etc]. É preciso abrir-se para o outro. Contrariar os próprios sentimentos e sofrimentos e permitir a si mesmo a uma nova experiência.

Para as “Anna’s”, é necessário tirar do amor a esperança e a perseverança. É aceitar as portas na cara e engolir o silêncio. É ser ignorado e insistir, não por orgulho, mas por convicção. É nunca deixar de convidar para brincar e juntos “construir um boneco de neve”.

Confira a tradução de “Você quer brincar na neve?” (Do you want to build a snowman?)

Anna (5 anos) – Você quer construir um Boneco de Neve?
Venha, vamos brincar
Eu nunca mais te vi
Saia do quarto,
É como se você estivesse ido embora.
Nós costumávamos ser melhores amigas
E agora não somos mais
Eu gostaria que me dissesse por quê?
Você quer construir um boneco de neve?
Não precisa ser “um boneco de neve”
Ok, tchau
Anna (9 anos) – Você quer construir um Boneco de Neve?
Ou andar de bicicleta pelos corredores?
Eu acho que está mais do que na hora de você ter companhia
Eu já comecei a falar com os quadros na parede
Fica muito solitário
Todas estas salas vazias
Apenas observando as horas passando
Anna (13 anos) – Elsa? Por favor, eu sei que você está ai
As pessoas estão perguntando onde você está
Eles dizem “tenha coragem”
E eu estou tentando
Estou bem aqui para você
Apenas me deixe entrar
Nós só temos uma a outra
É só você e eu
O que vamos fazer?
Você quer construir um boneco de neve?

GIKOVATE: O AMOR QUE SE VAI

Amar-é-Puuung-1O psicoterapeuta e escritor Flávio Gikovate define o amor como: “um sentimento por alguém muito específico, que provoca a sensação de paz, de aconchego e harmonia”. Psicologicamente, o amor reflete a primeira experiência do ser humano: o prazer absoluto de estar no útero materno. Por isso, Gikovate diz que “o Amor é um remédio para o desamparo do nascimento”. Para ser amor é preciso que o sentimento seja, necessariamente, interpessoal (verbo transitivo) e, também, seja um prazer negativo, no sentido que ele vem substituir a perda do primeiro prazer (quando saímos do útero perfeito e temos contato com o mundo imperfeito).

Assim, Gikovate – contrariando o senso comum romântico – afirma que “não se faz amor, se sente amor”. Completamente diferente do sexo, que segundo o autor, o fenômeno da sexualidade funciona de forma pessoal (prazer autoerótico), é uma excitação e não depende de desconforto.

Fato é que amor adulto, tem muitas características infantis. O outro entra no lugar da mãe, substituindo o objeto de prazer que irá receber todo o investimento de amor.

No século V a.C., Platão afirmava que o Amor deriva de Admiração. A escolha desse objeto que vai substituir a mãe será feita, então, por admiração. Essa é a explicação para a formação dos casais. A questão é que o critério de admiração pode se modificar com o passar do tempo.

Essa, a admiração, é uma das variáveis que pode levar o fenômeno amoroso ao colapso da relação. Quanto mais baixaamar-é-ilustrações-puuung-34 for a autoestima, maior a procura pela admiração ao perfil oposto, justificando a máxima “os opostos se atraem”. O tempo e a aproximação podem provocar a perda, ou mesmo o crescimento, da admiração. É um processo constante de reavaliação da admiração ao outro. Isso depende das escolhas e das mudanças que ocorrem individualmente e, que afetam diretamente o relacionamento. Em outras palavras, quando se perde admiração, perde-se o amor. Logo, o maior problema é a perda da admiração.

O sentimento amoroso vai se desencantar pelas mesmas razões que o fez encantar. O fim do amor não é, imediatamente,  o fim do relacionamento. Muitas pessoas ficam juntas mesmo depois que a vida emocional está empobrecida. Viver junto, não significa viver bem. Há os que continuam com um objetivo de forçar a mudança do outro, em vez de usar essa força para mudar a si mesmo. “Por exemplo: em vez de eu forçar o outro a deixar de ser egoísta, eu devo trabalhar em mim para deixar de ser generoso. Assim, ou a pessoa sai da relação em busca de alguém generoso, ou ela aprender a ser generosa. Toda a energia deveria ser gasta em si mesmo e não em reformar o outro. É um esforço inútil”.

Para Gikovate a parte mais generosa da relação é quem ativa a ruptura. Isso porque a parte mais egoísta, ainda que em um possível sofrimento, não suporta ceder. Assim, espera-se uma hora oportuna para a separação.

amar-é-ilustrações-puuung-35As pessoas esperam separar sem ter que passar pelo buraco da solidão. A maior parte das pessoas lida muito mal com a solidão e, principalmente, com a dramática sensação de dor no momento da separação. Uma dor confundida, pois essa primeira não é a dor da solidão, é a dor aguda da ruptura. Da transição.

Se o relacionamento está desgastado, o outro não está preenchendo bem as expectativas, de maneira que já há a sensação de incompletude presente. Quando há uma ruptura é preciso fazer uma autocrítica e entender onde e como foram as falhas e as mudanças. Aprender a lidar melhor consigo mesmo.

O individualismo é uma coisa ótima e positiva, pois está ajudando as pessoas a dar menos ênfase ao amor infantil, de dependência. O individualismo atrai relações entre pessoas mais parecidas criando uma nova máxima “os semelhantes se aproximam”. O amor ganha conotação mais adulta, com aconchego intelectual, o que dá um viés mais sofisticado para a relação. O “Mais Amor” (termo cunhado por Gikovate como uma evolução das relações afetivas) é o que se aproxima da amizade, ou seja, a relação entre duas pessoas é baseada nas afinidades, respeitando a individualidade de cada um, tomando as duas partes como iguais e equilibradas em tudo.

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Fonte: Texto baseado na palestra O AMOR QUE SE VAI, de Flávio Gikovate, realizada pelo CPFL Cultura, 2009. (contém alterações deste autor/blog).

Link Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=JtDmoS7VAvY

Ilustrações: Puuung

Quanto vale?

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Quanto você está disposto a pagar pela felicidade que nunca acaba? Ou pelo amor sem dor? E pela paz que jamais sai do sério? Quanto você investiria em um relacionamento que desconhecesse a o medo, a insegurança e as diferenças? Quanto você pagaria para sentir, em todos os beijos, a mesma sensação do primeiro? Ou para manter a boca seca, o frio na barriga e a pupila dilatada em cada encontro com a pessoa amada? Quanto?  Quanto você pagaria para voltar a sonhar? Quanto vale o prazer de se entregar novamente?

Gostamos tanto de mensurar as coisas, as pessoas. Fazemos isso constantemente nos relacionamentos, por que não pesar os sentimentos?

Precificar é uma maneira que percebemos a intensidade do desejo. Valorizamos o que queremos e ainda mais o que não podemos ter. Assim, justificamos a nós mesmos de uma maneira ou de outra.

Somos desafiados a pagar o preço e com isso demonstramos o tamanho da nossa disposição em conquistar o objeto de desejo.

Assim, com disposição suficiente, nos arriscamos no mercado afetivo, pagando o que for necessário, sem pechinchar. E assim, abastecemos nossas satisfações e realizações.

No entanto, chega um momento onde a questão não está mais na disposição para se mover em direção ao que se deseja. Até porque continua se desejando. Mas a realidade volta-se para o quanto sobrou de recursos para pagar.

Então um dia você se pega com muita vontade, muita vontade mesmo, mas sem saldo emocional para financiar os sentimentos.

Esvaído pela impotência, você está sem crédito. Está quebrado. Com o coração quebrado.

 

FKX e a defragilidade das relações

“I’m like a rubberband until you pull too hard

I may snap and I move fast”

(SIA)

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Acredite! Einstein e Newton sabem muito mais de relacionamento afetivo do que você imagina! Eles não foram grandes autores de auto-ajuda, tampouco renomados terapeutas amorosos. Os expoentes da física esconderam em fórmulas matemáticas a explicação dos maiores conflitos emocionais entre duas pessoas. E você achando que só iria usá-las para passar no vestibular?

Vamos começar com F=K.X, também conhecida como fórmula de Hooke, muito utilizada para calcular a deformação que uma determinada força irá causar no objeto.

É sabido que todo material sólido quando submetido a esforços externos tem a capacidade de deformar-se. E, de acordo com a própria física, ao retirar a carga, o objeto teria a capacidade de retornar à sua forma e dimensão original. Este é o princípio da elasticidade.

Mas é claro que há casos onde essa carga é tão grande que a deformação torna-se irreversível. O próprio elástico, por exemplo, que “nasceu” para ser esticado pode perder sua principal propriedade com o tempo¹, dependendo do uso² e do desgaste³. Pode também se romper se alongado com uma força além da sua capacidade de resistência. Também pode sofrer danos irreparáveis na sua estrutura por conta da conservação e da temperatura.

Bom, agora você pergunta: “O que essa aula de física tem a ver com relacionamentos amorosos?” E agora eu te respondo: tente se colocar no lugar do objeto em questão!

Duas pessoas são como o K.X, ao se juntarem em um relacionamento, são expostas a uma série de Forças (aqui, você substitui o F pelos problemas do relacionamento, todos eles…..).

Fato é que as pessoas, e o próprio relacionamento, reagem de forma diferente a cada carga, uns deformam mais, outros menos, muitos conseguem retornar à forma do “primeiro encontro”, outros simplesmente ficam como aquelas borrachinhas frouxas que não conseguem mais segurar o dinheiro, sabe?

A grande verdade é que uma vez no formato “KX”, espere pelas piores “F’s”. A maldita física ainda consegue antecipar todas as possíveis conseqüências dessa equação amorosa:

A primeira possibilidade é a “Resiliência” – quando você ou o relacionamento consegue, simplesmente, absorver toda essa carga e retornar à posição inicial. Assim como os bambus que envergam com os ventos para todos os lados, mas ao primeiro sinal de serenidade, lá está ele ereto rumo ao sol.

Se este não é o caso do seu relacionamento, talvez já esteja na fase de “Plasticidade” – de acordo com a física é quando a pressão da forma é tão grande que gera deformações permanentes no objeto. Geralmente isso ocorre em relacionamento mais longo, onde o fator tempo já venceu o primeiro estágio.

Se o seu relacionamento não esta nas fases acima, então sinto lhe dizer, pois ele já veio a óbito! De acordo com a física, a “Ductibilidade” é a capacidade que um material tem em deforma-se até sua ruptura. Esse objeto que se rompe é chamado de defrágil.

E o que tudo isso significa? Muito simples! Que se você estivesse prestado mais atenção nas aulas de física e estudado os conceitos, provavelmente estaria hoje em um relacionamento saudável e feliz.

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ou então que simplesmente fracassou internamente e que busca explicações externas para aliviar a dor. Ou os dois.

Renato Lima, 00:28

Crônica do dessentir

por Orion Parra

IMG_20130716_151808Ele já não suportava mais ouvir a própria respiração. O suspiro ofegante denunciava que seu coração batia num compasso fora do comum. Antes disso, seus pensamentos já o acusavam de que nada estava normal… nada. Desesperado, deu o play no volume mais alto para ensurdecer seus pensamentos quando se deu conta de que a música também lembrava o passado.

Então tentou fugir… mexia no celular compulsivamente. Atualizava aplicativo, checava e-mail, monitoravas as redes sociais, depois largava o celular e esperava a eternidade de três segundos. Em seguida voltava a repetir o ciclo, incansavelmente.

Sua mente já havia se desprendido do corpo e divagava pela cidade: Onde estará? Com quem? Feliz? O que pensa?  Eram várias as interrogações que colocavam o pobre rapaz em transe. Princípios de alucinação já ameaçavam um colapso emocional.

A dor já irradiava para as extremidades do corpo. A alma se contraía em silêncio enquanto a mente duelava consigo mesma entre o sim e o não……

A essa altura ele já se assemelhava a um adicto em busca do seu objeto de gratificação. Os impulsos já haviam seqüestrado sua razão, seus valores e princípios eram reféns. Era preciso sentir novamente aquela emoção, a sensação de êxtase secava a boca e garantia pequenos espasmos.

A dor só não era maior que a saudade, ainda que a saudade lhe causava dor. Resistir às lembranças lhe consumia muita energia. Cansado, percebeu que não lhe sobrava forças  para continuar lutando e nem mesmo para retroceder, foi então que se rendeu.

Na rendição ele encontrou sentido. Podiam vir todas as dores, angústias, fantasmas e desesperos… ele estava ali, imóvel…. esperando por um único momento. A hora em que nada mais o faria sentir.

Ver Amizade

Outro dia o Facebook sugeriu que eu visse a amizade entre mim e alguns perfis. A primeira reação foi agradecer aos cachinhos dourados do Mark Zukemberg por ter criado tamanha relevância digital para sanar minha amnésia social. Logo pensei outra coisa. Sabia que no fundo se tratava de uma teoria da conspiração. Esse sistema macabro faz um cruzamento de scraps, fotos, posts  e monta um dossiê que um dia pode ser usado contra você. Cuidado! Afinal, ele mesmo cria uma página independente com tudo, tipo, tudo o que você faz com os amigos.  Uma mistura de “psycho-web-personal-copy-freak-profile”.

Mas quer saber…. desde a Revolução dos Bichos o mundo já não é mais o mesmo. O medo é de precisar recorrer a essa muletas para me lembrar das minhas amizades. Não há “marcação” que valha mais que uma lembrança de um bom momento de amizade. Nem um “curtir” que traduza aquela cena que ainda vívida evoca sensações sinestésicas da amizade.  

Então o facebbok me fez repensar sobre as amizades. Ele não pode saber mais que a mim dos momentos, palavras e vivências minhas com cada amigo. Ele não pode gravar no ciberespaço mais que eu posso guardar no meu coração e na minha mente. Não vou deixar que ele roube a prioridade de dizer o quão forte são meus vínculos. E mesmo que a lógica da computação analise cada relacionamento, jamais poderá dimensionar quão subjetiva e valorosa me são essas amizades.

Aquele simétrico painel não pode exprimir cada sorriso e também cada lágrima que essa amizade me custou. Não pode reproduzir os abraços e afagos trocados.  E pra ver essa amizade não preciso de login, apenas olhar para dentro. Lá onde ela mora.

E que se esse Ver Amizade servir para alguma coisa, que seja para incomodar e não para se fazer acomodar.

Rituais de Passagem e Ciclos da Vida

Freud fala sobre uma certeza humana e coletiva, talvez a única certeza universal da nossa espécie: a morte. Ao mesmo tempo em que Freud fala que dentro de nós (inconsciente) existe essa certeza, no consciente coletivo também existe a mesma luta para viver e prolongar a vida na terra.  Mas o post aqui não vai falar dos avanços da medicina estética nem técnicas de rejuvenescimento,  talvez sim em um estilo de vida saudável, de uma saúde emocional e afetiva.

Fato é que nossa vida é uma sucessão de ciclos, o famoso Círculo da Vida, que a Disney ilustrou com o pequeno Simba. Vivemos concluindo coisas e iniciando outras – não necessariamente nessa mesma ordem – a bem da verdade, nem muita ordem temos….. começamos vários ciclos ao mesmo tempo, sem ter concluído outros e assim construímos voluntariamente uma trama e quando menos percebemos já estamos presos em nossas próprias experiências, memórias, lembranças, passados…..

Mas para realmente seguir em frente é preciso concluir esses ciclos e isso não significa, necessariamente, apagá-lo ou destruí-lo – até porque quando tentamos fazer isso, nossa mente luta em resistir, e ela sabe fazer isso muito bem – mas é preciso de um Ritual de Passagem, um marco que sinaliza o fechamento de um ciclo e o início de outro.

Como todo ritual, o de Passagem  também precisa cumpri um certo protocolo.  Há quem prefira queimar as lembranças físicas, ou enterrar ícones que remetam ao ciclo anterior. Outras pessoas preferem o método de substituição, fortalecendo o novo com a esperança de que uma carga maior de emoção suprima a do passado.  Algumas escolhas são homicidas, outras repressivas, mas todas desesperadoras! …..Pobres de nós, humanos! Fácil seria se aceitássemos a morte de um amor, o falecimento de uma história e o desapego de pessoas…. O egoísmo natural enraíza tudo isso, independente de sermos bons ou maus, somos todos iguais.

Voltando ao Ritual de Passagem….. biblicamente não se pode “deitar vinho novo em odres velhos”. Odres são as barricas de carvalho que armazenam e envelhecem os vinhos. Vinho novo precisa de Odre novo, caso contrário o odre velho não suportará a acidez do líquido e em pouco tempo estará vazando pelos remendos desgastados pelo vinho anterior. Para a bíblia nenhuma semelhança é mera coincidência.

Fato é que todo Ritual de Passagem certifica a conclusão de um ciclo. Serve como ponto final que substitui todas as vírgulas, reticências, exclamações e interrogações.  Exige um pouco de sacrifício, muita coragem e determinação, pois é preciso se voltar ao passado para fechar a porta, o que implica em re-lembrar, re-viver….. todos os sabores e dissabores!

Mas é através de um Ritual de Passagem que conseguimos distinguir claramente, fantasias, idealizações, utopias, de realidade! Serve como uma libertação, limpeza, preparação para o novo ciclo. Aquele que faz parte da vida normal e natural de nós humanos!

É nesse Ritual onde culpas, culpados, suposições e variações são aniquilados. Porque já não importa mais, o ciclo será fechado!

Rituais de Passagem não acontecem no campo da mente, é preciso materializá-lo. Rituais de Passagem não são todos iguais, não possuem tempo determinado. Podem levar horas, dias, ou mais de mês (disso eu entendo)…. diferente do que imaginamos, ele não tem poder de amnésia, mas de sublimação. E quando concluímos somos inundados por uma segurança e paz que nos prepara para iniciarmos um novo ciclo, como se fosse a primeira vez.

E essa é a mágica da Vida, poder acreditar novamente, se entregar e se lançar ao novo sem amarras do passado.  E se por um lado jamais iremos esquecer o passado, por outro, percebemos uma reorganização de valores e significados dessa semiótica emocional e hormonal que habita em nós.

Eis uma forma de despir a vida e repensar a insustentável leveza de ser !

Fim de semana Emocionalista!

Três situações isoladas me chamaram atenção neste fim de semana e, engraçado que elas apresentam certos pontos em comum. O tema geral é o mundo inanimado das emoções afetivas …. Senso de paixão, amor e todas essas coisas melosas que envolvem qualquer ser humano num momento de carência!

Era sábado de noite e eu teclava com um colega no MSN que saiu de um relacionamento e na semana seguinte já embarcou em outro… mantendo o mesmo nível de entusiasmo! Me surpreendeu a velocidade da reposição com que ele preencheu a lacuna emocional e em tempo de estiagem afetiva afetando a sociedade perguntei:

– Qual fórmula você usa para o amor? (como se a fórmula da coca-cola pudesse ser comprada em bancas de revistas)

Mas ele respondeu sem pestanejar (na verdade eu assim interpretei já que a conversa era por MSN)

– na verdade “você tem que ir em busca e deixar ser encontrado”!

Eu tenho certeza que até agora ele não compreendeu a profundidade do que me disse….

Isso me levou a horas de meditação sobre os verbos buscar e encontrar, principalmente porque eles estão atrelados a outras duas ações: “ir” e “deixar”.  O exercício nada utópico era se jogar na oração e ver qual dos verbos não estava sendo “conjugado”, considerando a possibilidade de ambos!

No domingo de manhã fui assistir o segundo filme da saga crepúsculo, “Lua Nova”. Baixei pela internet porque não achava justo pagar R$ 5cão para locar, nem R$ 15zão para vê-lo no cinema! E estava certo! (acho que teria cortado os pulsos se tivesse ido ver no cinemark).

Primeiro que o emo-filme (também válido como hemo-filme) é totalmente depressivo e voltado visualmente para o público feminino, em especial adolescentes histéricas gritando “Bite Me”.  É um festival de homem sem camisa que não importa o gênero vampiresco ou lobisomeniano! E eu pergunto cadê a imparcialidade? Não aparece nem os tornozelos da Bella! (e o figurino não ajuda em nada a imaginação masculina). Nem vou discutir roteiro, direção, atuação dos atores… porque ai já é buscar pelo em ovo!

Enfim…. lá vai o filme ressuscitar o drama shakespeariano “Romeu e Julieta”, a lá Transilvânia! O amo impossível que está ali, pertinho da dor, do sofrimento!

Depois dessa overdose de glicose! Minha noite termina com um cara pregando sobre “Emocionalismo”. Não sei se ele sabia realmente a etimologia do que estava falando, mas o termo é intrigou. Sinceramente eu duvidei que essa palavra constava nos dicionários, mas o Houaiss me desmentiu.

Interessante que o sufixo ismo denota doutrina, sistema, teoria, tendência, corrente etc. (mais freq. no pl. e com sentido pejorativo), ou seja Emocional-ismo seria  a autogratificação com o que é emocional; um exagero emocional provocado. (tendência de encarar tudo de modo emocional)

Resumindo, quem vai em busca de emoção encontra emoção e deixa se levar por ela. Se isso é bom ou não…. depende de cada um!