Novo Tempo

“Do lugar de onde estou, já fui embora” (Manoel de Barros)

mitologia-moiras

Se você está lendo este texto é porque eu não morri. Sim esta não é uma daquelas publicações póstumas que deixamos guardadas com um bilhete “publique somente após o meu velório”. Sim eu estou aqui, agora, do outro lado dessa tela separado por um clique. Sim eu sei que você também não morreu e nem preciso perguntar isso. O que nos une é o fato de estarmos vivos. Já em quais condições sobrevivemos… isso já são outros quinhentos. Sim este texto fala de morte, parte de mim morreu há um ano (já arredondando). A outra parte? Agonizou! Algumas vezes até eu duvidei que fosse resistir, mas não é que resistiu? Então este texto fala também de vida. Afinal, estamos aqui. Eu e você. Você e eu. E isso não significa, necessariamente, que exista um “nós”.

Morte e vida. Dois conceitos definidos pela mesma variável, o tempo. E é este o assunto deste post. O Tempo. A física postula que o ponto de encontro entre o tempo e o espaço é chamado de “acontecimento”. Viver é uma sucessão de acontecimentos. Bons ou ruins eles estão ali mostrando que o tempo não para. Ainda que, muitas vezes, nós mesmos ficamos parados em algum lugar dentro de nós. Imóveis, vemos duas coisa: o tempo passar, e nada mais acontecer. É o enigma da vida: estamos no lugar certo, porém, na hora errada? Ou então, tomamos a decisão no tempo certo, mas na fase errada? Talvez nunca saberemos como resolver essa equação.  Quando se trata de questões emocionais essa matemática não é assim tão exata….

Fato é que ele, o tempo, não para. E isso não é letra de música apenas, não! Ainda bem que ele não para. Se ele parasse há seis meses eu estaria esperando aquela parte que agonizava morrer. Mas ainda bem que ele passou e hoje estou aqui escrevendo sobre o tempo.

Somente quem viu ele passar e quem passou por ele, recebe de presente um espelho retrovisor onde é possível ver onde estávamos, de onde saímos, onde chegamos e não apenas em questões que referem à nossa posição, mas também no como fizemos tudo isso, como chegamos até aqui, como estamos agora. E, claro, talvez menos importante ou não, quando que aconteceu cada etapa. Como sucederam cada encontro de tempo e espaço ao longo dessa jornada.

Outra evidência é que ele, o tempo, dá conta de tudo. Só ele é capaz de julgar se as decisões tomadas foram corretas ou erradas. E não fica apenas na sentença. Ele nos dá a chance de corrigir, de fazer diferente, de mudar, claro que ele não volta, mas nos permite fazer diferente daqui pra frente.

O tempo é aquela mãe que bate na hora, mas depois  vem nos acarinhar. Nos coloca de castigo, mas sabe que não é pra sempre e que em algum momento ele mesmo nos tirará de lá.

Claro que a noção de tempo se mede quando ele passa. Ainda não posso falar do que irá acontecer ou então o máximo que consigo falar do presente, a partir da referência de um passado recente.  Agora meus olhos já se secaram, meu coração já se acalmou, minha cabeça desacelerou.. mas ainda lembro o sabor das lágrimas quentes e salgadas escorrendo pelos meus lábios, os efeitos da palpitação e a pressão dos pensamentos que torturavam minhas emoções.  O tempo pode fazer muitas coisas, mas uma coisa que ele não faz é distribuir amnésia seletiva a todos que passam por ele. Confessa que você também desejou um pouco de amnésia seletiva, quem não gostaria de apagar algumas lembranças?

E o que aprendi com ele? É que por mais escura, assustadora e longa que seja uma noite…. ela não dura para sempre. Em algum momento o sol vai se levantar e logo os primeiros raios irão, lentamente, desfazendo o breu e iluminando nossas vistas.

E o que eu faço agora? Desejo novos acontecimento. Desejo novos encontros de tempo e espaço. Desejo estar no lugar certo, no momento certo.

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Sobre Renato Lima

Jornalista, psicólogo, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 30/01/2018, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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