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ALERTA | Banalização da Psicopatia nos Seriados

hannibal-série-trailer-2-600x350Dizem que “a arte imita a vida”. Sempre que eu ouço essa frase fico pensando quem Tarsila imitou quando pintou o Abapuru ?! E se isso realmente for verdade, esse post é muito mais sério que um alerta.

Recentemente estou assustado com alguns seriados que estrearam em 2013. Seriado pra mim é como novela para minha tia-avó: quase uma religião. A diferença é que posso “seguir” vários ao mesmo tempo o.O

Mas percebi uma avalanche de seriados que em comum abordam psicopatias, psicopatologias, psicoses e outros tantos transtornos mentais que assustam até mesmo um estudante de psicologia acostumado com roteiros complexos.

Estou falando de THE FOLLOWING (Fox), BATES MOTEL (A&E) e HANNIBAL (AXN). Além do mocinho e bandido e da investigação policial, essas séries colocam foco na “saúde mental” dos personagens – ou na falta dela – e expõem sem filtros uma realidade presente até então em manicômios e diagnósticos sigilosos.

poe_followingThe Following, já com estréia no Brasil pela Warner, narra a uma seita criada em torno da obra de Edgard Allan Poe (muito suspeito!), congrega dezenas de psicopatas atraídos pela “Beleza da Morte”. Nisso, matar e morrer (veja que não é um “ou”) é cumprir um bem maior. Curioso e que o roteiro mostra uma realidade muito concreta, onde os desajustados se reúnem por suas semelhanças e se encaixam em um contexto onde são aceitos. Os episódios são recheados de sangue, frieza e perspicácia.

Em seguida foi lançada Bates Motel, um prelúdio da série Hitchcock. O roteiro foca no desenvolvimento da psicose do protagonista Norman Bates e detalha o início das alucinações, esquizofrenia, assassinatos que vão transformar um jovens de 17 anos em um psicótico (baseado no livro que originou o filme Psicose). A série ainda evidencia um relacionamento edípico entre mãe e filho. Além de outras neuroses.

Por último, temos a recente adaptação da “quadrilogia” Hannibal do cinema para a TV. Crítica à parte, vez que o Lecter de Anthony Hopkins é insuperável. A espinha dorsal do seriado mantém o canibalismo do psiquiatra, destacando sua forma de entrar na mente das pessoas, cheio de más intenções é claro. Em contra partida, todos os crimes tem um fundo psicótico, com requintes de psicopatologia pesada!

Diante dessas três séries, Dexter que volta no segundo semestre para a última temporada, perde a hegemonia do contexto Serial xlargeKillers. Embora também seja uma psicopata, Morgan ainda segue uma série de códigos que o convertem em um “herói” com ressalvas.

O alerta fica mesmo nos possíveis efeitos (nocivos) da exposição desmedida, excessiva e sem censuras de todos os vieses da psicopatia, livremente para todas as pessoas, de diferentes idades e, principalmente, diferentes estruturas de personalidades. Não podemos nivelar a absorção desse conteúdo da mesma forma entre todos os telespectadores. Algumas correntes psicológicas consideram o Meio (ambiente) como grande influenciador de comportamento. Se somarmos isso a outras correntes que acreditam na “pré-disposição” para desenvolvimento de psicopatias e esquizofrenia. Então temos uma equação perigosa para a saúde mental.

Esse discurso pode ficar ainda mais palpável quando lembramos de alguns casos como Massacre de Columbine, Virginia Tech e os fãs de Duke Nuken e Batman que metralharam dezenas de pessoas, confundindo realidade com a ficção..

Voltando à frase inicial desse texto. Caso a vida também esteja imitando a arte, teremos um ciclo vicioso e preocupante. Não quero exorcizar os seriados, mas registrar um olhar crítico e uma visão do todo.

Confira os traillers

THE FOLLOWING

BATES MOTEL

HANNIBAL

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Sobre Brothers and Sisters

 

“Nunca é tarde demais para você ser o que deveria ter sido” Nora Walker (S05Ep22)

RON RIFKIN, PATRICIA WETTIG, LUKE MacFARLANE, EMILY VanCAMP, DAVE ANNABLE, RACHEL GRIFFITHS, SALLY FIELD, MATTHEW RHYS, ROB LOWE, CALISTA FLOCKHART, BALTHAZAR GETTY, SARAH JANE MORRIS

Hoje eu vi o último episódio da série Brothers and Sisters (ABC, 2006-2011). E enquanto os créditos apareciam na tela em fade out, eu me lembrava de quando andava pelos corredores dos Subways de Manhattan e via a Sally Field nos cartazes da ABC, divulgando a série…. na época eu estava muito mais interessando em saber o que se passava em Orange Country. Só fui começar a ver #BS depois que a série terminou.

Foram 5 temporadas, cerca de 100 episódios e mais de 4,2 mil minutos de série… Na época (2007) eu jamais teria maturidade para compreender e “curtir” essa série da forma que aconteceu.

Fato é que assistir Brothers and Sisters é como ler um livro com toda a riqueza de detalhes e conflitos que só a literatura pode explorar. O conteúdo dramático é tão fascinante que mesmo o enrijecimento das personagens, previamente caracterizada por atores e figurinos, não ofusca a imaginação. Isso porque #BS projeta todos os possíveis conflitos reais de seres humanos reais sejam eles (os conflitos) individuais ou coletivos.

Talvez por isso mesmo é que a série, embora tenha durado meia década, não ganhou muitos prêmios – a não ser um Emmy para Sally Field além de algumas indicações para Globo de Ouro. O roteiro foge da superficialidade americana. E o que é  a atuação de Rachel Griffiths (Sarah Walker) ??? Se resta alguma dúvida veja ela em Six feet Under (a sete palmos). Mesmo assim há quem critique severamente algumas temporadas como chatas com episódios piegas. E se o seriado não foi perfeito, eu culpo a Sônia Braga que mesmo participando de dois episódios, continuou sendo a Dama do Lotação. Mas valeu a homenagem que o escritor fez ao Brasil, afinal ele morou aqui algum tempo e não foi ao acaso a escolha da Sônia.

Dizem que a arte imita a vida, mas acho que a arte consegue fazer mais que isso…. ela pega o melhor e o pior da vida e mostra que é possível olhar de um jeito diferente. Que as coisas complexas podem ser simples que  e que as simples possuem sua complexidade.

Mas nada é mais evidente em #BS que o poder do vínculo. Os laços, sejam de sangue ou afetivos, resistem e sobrevivem a qualquer MATTHEW RHYS, LUKE MACFARLANEsituação. Não há tempo, nem mágoa, nem raiva ou decepção, tampouco a traição ou a distância que podem superar o verdadeiro amor deflagrado em cada episódio com uma avalanche de “I am Sorry” (me desculpe). Talvez a parte mais humana deste seriado é que todos podem, e de fato erram. A mãe com os filhos, o esposo com a esposa, os irmãos entre si, os casais, amores e amantes… Não há modelo de perfeição, nem heróis, apenas seres humanos que se machucam, se perdoam e se amam e continuam….

“Eu só queria dizer que nós não amamos as pessoas que amamos por elas serem perfeitas. Nós amamos as pessoas que amamos, por elas serem quem são.” #KittyWalker

Fica aqui meu registro de homenagem e saudades de Brothers and Sisters!

 

Abertura – Pictures of You (the Last Goodnight)

 

Algumas Trilhas do Seriado que já fazem parte da minha playlist!

 

 

 

 

 

Seriados que abordam Psicologia e Comportamento Humano

Os seriados são as minhas novelas. Acompanho dezenas ao mesmo tempo e quando gosto, sou fiel! Luto e sofro com as personagens como minha avó faz nas novelas.

Nesse post eu reuni os seriados que assisto/assisti que tenham em comum uma abordagem em comportamento humano. Algo que estudantes de psicologia, assim como eu, poderão assistir com uma visão crítica e até didática, sem perder a graça e a emoção da teledramaturgia.

Quando falo em seriados que abordam comportamento humano e psicologia, não estou falando de Psych ou The Mentalist, estou falando de SitCom, ou seja, situações reais do nosso cotidiano. Dois seriados que eu não listei, mas que de forma empírica produzem uma reflexão sobre psicologia comportamental são Modern Family e Shameless (Fica a Dica).

No mais, a listagem abaixo seria minha videoteca de pesquisa em psicologia no setor de seriados. Esperam que gostem, e também contribuam com dicas e sugestões!

In Treatment

Um psicanalista, cinco casos, uma sessão por noite. Baseado em uma série de sucesso da TV israelense. Paul Weston (Gabriel Byrne), é o  psicanalista cujo consultório fica dentro da própria casa, ou seja, o seriado aborda o humanismo do profissional e,  que além  do fato de “lidar” com problemas dos outros, ainda – como todo ser humano – conta com os próprios problemas. Essa linha tênue é muito bem abordada pelo diretor Rodrigo Garcia (ninguém menos que o filho do escritor Gabriel Garcia Márquez).

Outro ponto diferencial é que de segunda à quinta o psicanalista atende um paciente diferente, ou seja, não há solução no final do episódio, mas como “voyeur” nós acompanhamos cada caso como se fossem reais. E na sexta-feira, é a vez do psicanalista fazer terapia com sua mentora Gina (Diane Wiest). O roteiro é tenso, adulto, as vezes monótono. Sim, é chato, mas muito interessante pelo ponto de vista humano da figura do psicanalista.

Lie To Me

Pra quem curte comunicação não-verbal é o seriado perfeito! E, de brinde ainda conta com uma atuação fantástica de Tim Roth na pele do Dr. Cal Lightman como um “identificador de mentira, através de micro expressões faciais”. Os roteiros são excleentes, as abordagens também e cada episódio é uma aula sobre como  nosso corpo pode nos entregar e desmentir o que falamos!  Esse seriado eu acompanhei até o último episódio. Curtindo cada conflito, detalhe, enfim! Saudades!

O seriado é todo baseado em pesquisas em psicologia comportamental e comunicação corporal e circundado com uma trama muito irônica, já que o especialista é louco! Simples assim.  O Seriado ajuda a entender também causas e consequências de ações individuais e coletivas sob um outro ponto de vista.

 

Dexter

Meu favorito! O que ele tem a ver com Psicologia? Além de um entendimento de psicopatia, alterego, estrutura de personalidade, transtornos mil…. entre outros conceitos… É cuidadosamente pensado e roteirizado para ser uma ficção, porém, fala diretamente  com o telespectador. Afinal, quem simpatizaria com um serial killer?  Michael C. Hall (Dexter) que também dirige a série, já provou que gosta de abordar personagens densos e complexos, como já o fez em Six Feet Under. Outro seriado excelente sobre conflito familiar, que ainda contava com um casal de psiquiatras. Dexter fala dos limites do ser humano, como ele mesmo diz:  “As pessoas fingem muitas das interações humanas, mas me sinto fingindo todas… E as finjo muito bem!”

“Posso matar um homem, desmembrar seu corpo,e chegar em casa a tempo para ver o Letterman…Mas não sei o que dizer quando minha namorada está se sentindo insegura.” “Se eu tivesse um coração, ele estaria partido agora.”

Web Teraphy

Que tal substituir o modelo tradicional de terapia, Pareamento de 45 minutos, por um encontro via Skype de 3 minutos???? Essa é a proposta da terapeuta Fiona Wallice (Lisa Kudrow) propõe para seus pacientes.

Para a terapeuta, em 50 minutos os pacientes falam coisas desnecessárias…. por isso os encontros foram encurtados, já a tecnologia é uma releitura da pós-modernidade sobre os conceitos da psicologia. Porém Fiona não é boa ouvinte, interrompendo constantemente as sessões com julgamentos, citações de experiências pessoais desnecessárias, e tentativas de promoção do método por parte dos pacientes. Muito do humor da série gira em torno de seus óbvios interesses pessoais nas sessões. Enquanto a primeira temporada aborda sua falta de profissionalismo e seus interesses particulares, a segunda temporada foca no seu relacionamento com o marido.

Também não acompanhei toda a temporada, mas alguns episódios ajudam a refletir sobre a atuação do psicólogo.

 

BRASIL!!!!

Pelas bandas tupiniquins também destacam-se algumas produções da teledramaturgia com foco na psicologia e comportamento.

Adorável Psicose

É a minha favorita. Exibida pelo canal pago Multishow, porém com todos os episódios disponíveis no YouTube,  já vai para a terceira temporada (abril/2012). Protagonizado por Natalia Klein (que também é a roteirista, função que já fez em Zorra Total), a série aborda conflitos existenciais  e suas adjacências, sempre com muito bom humor.  Não percam!

“Descobri que sou psicótica! – Quem disse? – O Google.”

 

Afinal o que querem as mulheres?

Baseado em textos de Freud, a Rede Globo fez um seriado especial cheio de tecnologia e linguagem de cinema com um roteiro belíssimo. Tudo bem que a dramaturgia sobrepõem os conceitos freudianos, mas ficou muito legal, diferente e criativo. Vale a Pena!

André Newman é escritor e está terminando sua tese de doutorado em Psicologia, que pretende responder a pergunta freudiana “Afinal, o que querem as mulheres?”. Com senso de humor muito próprio, o psicólogo mistura a pesquisa à sua própria vida. Sua dedicação ao estudo é tanta, que ele acaba se afastando e sendo abandonado por seu grande amor.

No YouTube

Psycho Girlfriend

São temporadas curtas feitas especialmente para o Youtube – acho que ainda somente em inglês (sem legenda) – mas o conteúdo é perfeito e a atuação do casal é hilária. Um convite a reflexão do relacionamento a dois, cheio de situações do cotidiano. E questiona: até que ponto o ser humano pode chegar??!  Psicólogos encontram em Psycho Girlfriend um fonte complexa enquanto muitas pessoas apenas riem com as loucuras de uma namorada que “ama demais”. A psicologia já relaciona que achamos graças de situações que remetem a nós mesmos.