Vulnerável

Botticceli

Vulnerável. Me traduz nos últimos nove meses. Uma sensação de estar desprotegido, exposto, suscetível a riscos, um estado de constante ameaça. Quanto mais eu me sentia vulnerável, mais eu investia em me defender. Então precisava me proteger, precisava de uma armadura (bem dura) para as minhas emoções. Eu me vestia de autoafirmação, trocava o sorriso diariamente, me cercava de uma barreira humana (chamada amigos) e tomava doses cavalares de prazeres momentâneos.

Quanto mais eu mantinha essa constante, mais eu denunciava a minha própria vulnerabilidade. Bem, ela está aqui, agora… e quando estamos a sós conseguimos fazer grandes coisas juntos. É bem verdade que ela me permite me conhecer de uma maneira que jamais imaginei. Estar vulnerável e uma oportunidade de se despir de tudo aquilo que vem de fora…. medos, expectativas, status, padrões, rótulos, obrigações…. é assumir a nudez do que tem dentro. Da essência, da verdade. Do jeito que é. E nem sempre vai ser bonito, ou perfeito, ou feliz. Do contrário, é ferida aberta, reboco caído, pedaço faltando.

Mas na vulnerabilidade habita um tipo de libertação. A libertação do “tem que”. Ao assumir o que você é o como está, você simplesmente não precisa “ter que” ser nada, nem “ter que” fazer nada. A vulnerabilidade te faz mais humano. E isso não significa que você irá se sentir mais feliz ou mais forte. Eu disse humano, então infelicidade e fraqueza fazem parte dessa definição. Mas é aí que aflora uma beleza especial que faz de você único.

A vulnerabilidade é circunstancial, momentânea, e por isso passageira (ainda que leve nove meses… ou mais). Porém, ela precisa ser assumida e acolhida como parte do aqui e agora. Ela não irá deixar saudades (o que é bom), mas quando ela se for, deixará uma pessoa melhor. No lugar das feridas, cicatrizes, da instabilidade, estabilidade.

Assumir a vulnerabilidade abre duas portas: a da ciência dos riscos e ameaças diante da fragilidade, e, a porta das armadilhas de engano e negação diante da fragilidade. Eu escolho não me enganar. Eu escolho não trocar o pneu com o carro em movimento. Eu escolho não andar com estepe.

Eu escolho abraçar a minha vulnerabilidade, expor minhas fragilidades e dançar com os meus pedaços.

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Sobre Renato Lima

Jornalista, psicólogo, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 05/11/2017, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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