Sobre-viver

A Última CeiaSomos pessoas. Apenas pessoas. Complexas pessoas. Pessoas tentando se adaptar. Adaptar-se para viver. Essa última parte a natureza nos ensinou bem. Leões e cordeiros também tentam viver, mesmo que para isso, o leão precise abater o cordeiro. Não há leões maus e cordeiros bons, não há bandidos e nem mocinhos. Não na natureza, e nem entre os homens. A segunda parte dessa frase é meu desejo pessoal de compreender as pessoas.

Assim com os animais, também são as pessoas. Mais complexas, porém, e, por isso mesmo o adaptar-se fica um tanto complicado. Quando se fala de pessoas, fala-se de um adaptar-se psíquico. Viver significa manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo?  Talvez sim, talvez não. Viver significa dar sentido, ainda que seja um sentido falso, mascarado, ainda que seja um sentido inconsciente, momentâneo. É necessário. Se faz preciso para não se perder no limbo das emoções.

Eu disse que era complicado. E fica ainda mais à medida em que fazemos escolhas, que tomamos decisões. De igual forma acontece quando decidimos não escolher, ou não fazer nada.

Redundância à parte é preciso abater o cordeiro. Caso contrário morre-se de fome. Assim inicia-se a caçada desesperada por preenchedores de vazios, por substitutos secundários, por homeopatias, placebos e fantasias que possam se transformar em sentido.

Sim, ainda assim, não há pessoas boas e más. É o que eu acredito. É no que eu quero acreditar. Somos pessoas, tentando simplesmente não surtar. Não explodir. Não implodir. Somos complexas pessoas que podem fazer o mal. Podem ferir a si mesmas e também ferir aos outros. Podemos machucar. Podemos fazer escolhas erradas. Podemos desesperadamente nos lançar na correnteza de um rio sem saber nadar. Podemos atear fogo em gravetos e provocar incêndios.

A complexidade se dá durante a busca, aquela desesperada, pelo sentido. Acabamos fazemos coisas que não tem sentido.  Fazemos escolhas sem saber a razão. Ferimos sem querer. Erramos. E seguimos querendo nos adaptar. Querendo não surtar.

Na natureza, sobrevive não o mais forte, ou o mais bonito, nem mesmo o mais inteligente. Sobrevive o que melhor se adapta. Então isso explica muita coisa sobre as pessoas, é preciso lançar mão de futuros arrependimentos, é preciso fazer escolhas erradas, é preciso machucar, porque é preciso sobreviver.

Somos pessoas. Apenas pessoas. Tentando não ser abatida pelo leão da dor, do sofrimento. Correndo para não ser devoradas pela desesperança. Não pensamos. Apenas corremos. Às vezes não sentimos. simplesmente pelo fato de que estamos correndo ainda mais rápido.

É isso.

Anúncios

Sobre Renato Lima

Jornalista, psicólogo, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 30/04/2017, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: