I MISS MY BIGGEST HEART by Emily Dickinson

“…ele está aqui, vivo, vívido e inesquecível para sempre,

irrequieto demais para ficar deitado por muito tempo.”

(Stewart Stern)

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Abre com cuidado,

Nesta tarde, todo meu pensamento está voltado para ti, toda a minha prece é por ti. Penso que assim como estamos unidos pelo coração, poderíamos passear de mãos dadas, como crianças, pelo bosque e esquecer todos esses anos e essas dolorosas preocupações, e voltar a ser crianças – eu gostaria que fosse assim. E quando olho em torno e me vejo sozinho, suspiro por ti; pequeno suspiro, inútil suspiro que não vai trazer você de volta.

Preciso de ti mais e mais, e o mundo fica ainda maior, e os entes queridos se tornam menos e menos numerosos, a cada dia de tua ausência – tenho saudade do meu maior amor; meu coração vagueia e chama por ti.

Perdoa-me cada palavra que digo, meu coração só tem lugar para ti, só tu existe em meus pensamentos, e, no entanto, quando procuro algo para lhe dizer, faltam-me palavras. Se estivesses aqui. Ah se estivesses, não precisaríamos falar nada, nossos olhos falariam por nós, aos murmúrios, e tua mão na minha, não precisaríamos de palavras – procuro trazer-te para perto.

Até chegar o grande dia, minha impaciência há de alimentar mais e mais, pois só chorei por ti; agora, começo a esperar por ti.

Eu queria te mandar uma coisa que te agradasse muito e pensei muito até ver minhas pequenas violetas: elas imploraram para ir, e, por tanto, aí estão. São pequenas e receio que agora não tenham perfume, porém te falarão de afetos ardentes e de algo fiel que nunca adormece – coloque-as sob seu travesseiro, para que te façam sonhar com céus azuis, com o lar, com a terra abençoada.

Agora, adeus. A mãe te manda lembranças e eu acrescento um beijo, timidamente, se estás com alguém. Não deixes ninguém ver, está bem?

———-

Eu peço licença à Emily Dickinson e empresto esta carta que ela escreveu em 1852. Palavras que eu gostaria de empenhá-las hoje, 163 anos depois, dão sentido ao meu presente espírito. Não sei qual efeito provocou em Susie, a quem Emily destinava todo seu amor. Mas posso compreender o que Dickinson sentia ao escrevê-la. Chamada de “A Grande Reclusa”, em vez de personalidade solitária, Emily, talvez, estivesse mais para incompreendida. Obrigado cara Emily, falastes pelos meus próprios afetos. //

>> Retirado do livro “Cartas Extraordinárias”, Cia das Letras.

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 19/07/2015, em Mood e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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