Aniversário

... antes de morrer, você deve plantar uma árvore,  escrever um livro e ter um filho...

… antes de morrer, você deve plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho…

 

Eu relutei para não chegar esse momento. Mas hoje é o último dia do mês do meu aniversário. E como todo aniversário, eu me dou de presente um texto. As vezes eu me arrependo desse presente, quase sempre me dou presentes de grego e quando leio, vejo que patético. Eu teria escrito antes se não fosse por falta das minhas meias…. Elas decidiram me abandonar e o fato de não suportar os pés suados no tênis tiraram meu foco de mim mesmo. Meias! A gente pisa nelas, as escondemos e depois jogamos em um cesto escuro e fétido! Mas quando elas se teletransportam e seus pés começam a sentir frio e úmido, você percebe que até as soquetes tem o seu papel nesse mundo. Meias….

Mais ainda tenho algumas horas para do mês de aniversário para aquela melancólica e enfadonha retrospectiva. Como se realmente fosse possível reviver 365 dias em 24 horas!

Este foi o aniversário dos bolos….. foram três, talvez quatro…. (não que eu desejasse todos)…  Mas se tem bolo, tem vela, se tem vela, tem fogo e se tem fogo, tem o ritual de assoprá-lo e lançar zilhões de perdigotos sobre o glacê e depois oferecer o primeiro pedaço – já colonizado por bactérias salivares – para a pessoa que você “Mais Gosta”. Quanta ironia!

Mas desse ritual todo me chama atenção o palitinho de fósforo que acende a vela. Aquela cabeça vermelha após entrar em combustão jamais irá se acender novamente. E naquele fósforo que acende a vela que marca a passagem do ciclo da vida, também se encontra o ciclo da morte.

É o que Rubem Alves fala “a celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não existe mais. No ritual das velas, acessa é símbolo de vida. Apagada, é símbolo de morte”.

E enquanto eu vou morrendo, meu Baobá vai vivendo lá na África (Veja nas foto). Ele vai completar um ano em julho e venceu a aridez do solo e o calor do Quênia. Não vou acender velas pra ele. Das três etapas que um ser humano precisa fazer antes de morrer, eu já realizei uma. Plantei um lindo Baobá.

A NatGeo disse que “ao nascer você dividirá seu aniversário com mais de 17 milhões de pessoas. Durante os dez anos de escola, você terá uma média de 17 amigos, quando chegara os 40 anos esse número pra dois (no meu caso isso aconteceu antes dos 40). Em média, você passará 10 anos da sua vida no trabalho, 20 anos dormindo, 3 anos sentado no vaso sanitário, 7 meses esperando no trânsito e 2 meses e meio esperando no telefone (eu ainda acrescento que se a sua operadora for a Claro esse tempo dobra, consideravelmente). Passará 12 anos assistindo televisão (ou vendo seriados pelo PC, como é o meu caso) e 19 dias procurando o controle remoto. Depois de tudo isso, só lhe restará um quinto da sua vida pra ser vivida. Portanto, é melhor começar logo!” (diz a revista)

E eu vou começar procurando as minhas malditas meias!

 

 

P.S: Aniversários são como final de temporada…. uma mistura de saudade e expectativa. Esse ano, a minha trilha seria essa:

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Sobre Renato Lima

Jornalista, psicólogo, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 30/06/2013, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Se juntar tudo o que voce ja escreveu ja da uma Shelf cheia de livros… Adoro ler o que voce escreve por mais ironico que pareca … me faz rir… parabens super atrasado..

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