A Síndrome do Pequeno Príncipe

Eu tive que ler Exupery três vezes ao longo de 10 anos para poder chegar até essa Imagemreflexão. E tudo começou com às dezenas de Misses que – sem julgar a natureza da concepção – foram o maior instrumento de marketing deste livro que em popularidade só perde para a Paz Mundial, ainda não publicado – diga-se de passagem.

No entanto lá está o pequeno notável com suas madeixas loiras, carregado um saco de interrogações. Sua estrutura órfã, andrógina e assexuada formam um arquétipo controverso à medida que “Cativa” – e este é o vocabulário mais apropriado, apesar de clichê – leitores dos mais variados perfis. Eu mesmo, li O Pequeno Príncipe pela primeira vez na minha segunda infância quando ainda guardava o livro junto com minhas Fábulas de Esopo. Meu segundo contato com o livro foi na faculdade de jornalismo, buscando encontrar toda a subliminariedade maquiavélica oculta nas entrelinhas, após êxito em fazer o mesmo com Alice, de Lewis Carroll. Agora, submerso na psicologia, voltei para a obra ainda tentando compreender o fascínio que o enredo provoca nos leitores. Atire a primeira pedra quem nunca desejou encontrar uma raposa, ser a rosa de alguém ou então apenas se satisfazer com a imaginação.

Mas pra mim a história só faz sentido quando se olha para o viajante de cachecol como a crise do gerúndio. Sim, esta é a síndrome do Pequeno Príncipe. Ele sempre está caminhando, viajando, conhecendo, conversando, perguntando…… Há um investimento em manter um movimento inconstante ora de esquiva, ora de busca. Alguém que não conseguiu se encontrar.  O Pequeno Príncipe vive em um outro planeta, aqui a metáfora é proposital. Além de viver distante de tudo e de todos, vive só…. Ele pode visitar o mundo dos “outros”, mas seu próprio mundo é inalcançável. Pouco fala de si mesmo….

Por mais que o Pequeno Príncipe busca se relacionar, as “personagens” apenas passam por ele…. São encontros temporários…. E, embora possam deixar marcas profundas, não há vínculos, nem reencontros… A síndrome funciona como uma grande asa, permite altos vôos, mas impede o crescimento de raízes.

Na Síndrome do Pequeno Príncipe há também a fantasia idealizada encarnada na Rosa. Símbolo do prazer, amor e da própria existência – pois diferente do carneiro – a existência do Pequeno só se faz pela existência da Rosa, é ela quem pauta o Príncipe da realidade objetiva e concreta dos papéis sociais.

Então nesse vaguear entre planetas e personagens ele protagoniza a própria solidão e o vazio que se esforça para preencher em forma de simbiose, com história dos outros. Mas nem toda doçura loira e órfã oculta a arrogância e prepotência do Pequeno que ostenta o título de nobreza. Subterfúgios fortes para esconder as fraquezas mais primitivas do ser humano, o medo e a angústia.

E na raposa, o Príncipe encontrou redenção. Só conseguiu retornar ao seu planeta – e isso indica o voltar às origens – quando descobriu em si próprio os valores de sua própria essência, afinal..o que é essencial, é invisível aos olhos. Ele permitiu-se aprender, reconheceu suas limitações e deixou-se cativar. Agora que você agüentou duas ou três larvas, que tal ver as borboletas? Selecionei as frases – talvez todas – que causam efeito em nós, mesmo isoladas.

Livro: O Pequeno Príncipe – Editado em 1943 – com o autor ainda vivo.  Saint Antoine de Exupery  é responsável pelo texto e aquarelas. Foi exilado nos EUa, onde publicou a primeira versão do livro. O título só foi publicado em Paris, país de origem, três anos depois. Exupery era piloto de avião do exército francês.

FASES E FRASES DO LIVRO – O PEQUENO PRÍNCIPE

“As pessoas grandes não entendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, ficar toda hora explicando…” Pág 8

“Quando o mistério é impressionante demais agente não ousa desobedecer” Pág 10

“Quando a gente anda sempre em frente, não pode mesmo ir longe…” Pág 16

“As crianças tem que ter muita paciência com as pessoas grandes” Pág 18

“Mas, com certeza, para nós, que compreendemos o significado da vida, os numerosa não tem tanta importância!” Pág 18

“Crianças, cuidado com os Baobás!” Pág 22

“Quando a gente está muito triste, gosta de admirar o por-do-sol” Pág 25

“Mas ele não é um homem, é um cogumelo!” Pág 27

“- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla. Ele pensa: Minha flor está lá, em algum lugar…” Pág 28

“Eu não sabia o que dizer, sentia-me envergonhado. Não sabia como consolá-lo, como me aproximar dele… é tão misterioso o país das lágrimas” Pág 28

“… apesar da sinceridade do seu amor, logo começara a duvidar dela. Levara a sério palavras sem importância, e isto o fez sentir-se muito infeliz” Pag 31

“Deveria ter percebido sua ternura por trás daquelas tolas mentiras. As flores são tão contraditórias. Mas eu era jovem demais para saber amá-la” Pág 31

“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas” Pág 34

“Ele não sabia que para os reis, o mundo é muito mais simples. Todos os homens são súditos.” Pág 35

“É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegue fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio” Pág 39

“Porque, para os vaidosos, os outros homens são seus admiradores” Pág 40

“As pessoas grandes são de fato muito estranhas” Pág 42

“- Essas coisinhas douradas que fazem sonhar os preguiçosos” Pág 45

“Era o único com quem eu poderia ter feito amizade. Mas seu planeta é pequeno demais. Não há lugar para dois” Pág 50

“Quando a gente quer fazer graça, as vezes mente um pouco.” Pág 57

“- os homens, vi-os faz muito tempo. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não tem raízes. Eles não gostam das raízes.” Pág 60

“Que quer dizer cativar? – é algo sempre esquecido. Significa criar laços” Pág 66

“Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nos teremos necessidades um do outro. Serás param mim único do mundo e eu serei para ti único no mundo” Pag 66

“Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem musica” Pag 67

“O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…” pág 67

“A gente só conhece bem as coisas que cativou”, Pag 67

“Mas, como não existem lojas de amigo, os homens não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me” Pag 67

“A linguagem é uma fonte de mal-entendido” Pag 67

“Se tu vens, por exemplo, as quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. As quatro horas então estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!” Pag 67

“Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a horta de preparar meu coração…. é preciso que haja um ritual” Pag 68

“…ela sozinha, é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi ela que abriguei com o para-vento. Foi por ela que eu matei as larvas (exceto duas ou três, por causa das borboletas), foi ela que eu escutei se queixar ou se gabar, ou mesmo calar-se algumas vezes, já que ela é a minha rosa” Pag 70

“Eis o meu segredo: é muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”, Pág 70

“ Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a fez tão importante”, Pag 72

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!” Pag 72

“Nunca estamos contentes onde estamos” Pag 73

 “É bom ter tido um amigo, mesmo que a gente vá morrer”, Pág 75

“É preciso proteger a chama com cuidado, um simples sopro pode apagá-la” Pag 76

“Em homens embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram. Então eles se agitam sem saber para onde ir” Pág78

“Mas quando a gente enrubesce, é o mesmo que dizer “sim”, Pág 80

“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar” Pág 81

“O sentimento do irremediável me fez gelar de novo. E eu compreendi que não poderia suportar a idéia de que nunca mais escutar aquele riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto” Pág 84

“Ou penso. As vezes, a gente se distrai e isso basta!” Pag 91

“Olhe o céu, pergunte a si mesmo: o carneiro terá ou não comido a flor? E verão como tudo fica diferente, Pág 91

 

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Sobre Renato Lima

Jornalista, psicólogo, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 14/01/2013, em Mood e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Olá…Interessante! Indicadíssimo.

  2. samaraquirino

    Bastante interessante. Fiquei feliz em encontrar alguem nessa vida que tenha entendido tambem a Sindrome do Pequeno Principe.

  3. EU TAMBEM GOSTA PEQUENO PRICIPE LETICIA SIDROME

  4. Silmara milagre

    Ótimo. Vou reler também. Adorei a sua interpretação, acabo de achar mais uma síndrome em minha personalidade. Obrigada.

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