Behaviorismo Afetivo

Até que ponto Skinner está presente em nossos conflitos amorosos? Até que ponto a Psicologia Comportamental pode explicar esse tsunami que acontece dentro da nossa própria caixa de Skinner? (refiro-me a parte emocional do cérebro, o coração).

Se a Psicologia Comportamental considera como objeto de estudo apenas os comportamentos observáveis, por tanto externos. Grosseiramente, não importa o que (como e por que) pensamos ou sentimos, mas a partir de como se manifesta (exterioriza) todos esses pensamentos, desejos e sentimentos, em atitudes.

O Namoro não seria a materialização do Condicionamento Operante?

Modelamos mais do que o nosso comportamento. Modelamos nossa rotina, nossas prioridades, até nosso guarda-roupa em busca do reforço chamado amor. Que às vezes vem disfarçado de beijo, carinho e outras manifestações mais criativas. São tantos estímulos sinestésicos que incorporamos novos comportamentos, que nunca imaginamos. Nos surpreendemos com a nossa própria capacidade de resposta!

Sujeitamo-nos a estes estímulos e nos condicionamos a um novo estilo de vida. Um condicionamento de alta performance sem qualquer previsão de saciação. Não nos cansamos de abaixar a alavanca na certeza de obtermos o reforço desejado. Por vezes nos vemos em fator variável, ou seja, não importa abaixar duas, três dez vezes a alavanca para receber um único reforço.

Mas em algum momento, e até agora Skinner não me respondeu o porquê, entramos em Extinção, ou seja, o fim do relacionamento.

Subitamente nos é retirado o reforço. Um novo estímulo cujo não estamos acostumados, já nem lembramos mais do tempo de privação. Não entendemos esse novo processo e insistimos abaixando a alavanca e em seguida checamos se o reforço estará lá. Acreditamos que em algum momento ele será liberado… Então nosso comportamento continua o mesmo. O corpo está acostumado a ir nos mesmos lugares, ouvir as mesmas musicas, os horários dedicados agora sobram vagos…. O processo de extinção começa a ficar doloroso e cansativo. O rendimento cai, mas ainda assim, vez ou outra, vamos lá, pressionar a barra na esperança de que o reforço apareça.

Depois da angústia (que Freud não nos ouça), e da frustração com a ausência de resposta, só nos resta a rendição. Não há mais reforço. Já questionamos o estímulo. A alavanca passa a ser desconhecida….. Voltamos ao estágio inicial de privação.

Então o que nos diferencia dos ratos, Skinner?

 

 

 

B. F. Skinner Conduziu trabalhos pioneiros em psicologia experimental e foi o propositor do Behaviorismo Radical, abordagem que busca entender o comportamento em função das inter-relações entre a filogenética, o ambiente (cultura) e a história de vida do indivíduo. A base do trabalho de Skinner refere-se a compreensão do comportamento humano através do comportamento operante (Skinner dizia que o seu interesse era em compreender o comportamento humano e não manipulá-lo).

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 09/05/2012, em Mood. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Muito bom o texto, Re. Me sinto exatamente assim. Quando nós extinguimos uma rotina longa, ou deixamos de fazer alguma coisa a que estamos condicionados, nosso cérebro demora pra assimilar e a gente mantem um comportamento repetido. É assim com relacionamentos, quando eles deixam de existir. Nós continuamos vivendo, mas o reforço não está mais ali, então buscamos ele de outras formas. Beijo!

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