Amor Hibernado

A melhor definição que eu encontrei para o AMOR está neste texto, juntamente com um entendimento mais maduro e imparcial sobre essa palavrinha unanimemente desejada.

Mais do que um sentimento, ou uma emoção, eu consigo ver o amor como algo concreto. O Amor é o primeiro filho de um casal apaixonado. Precisa ser gerado, nutrido e mantido. Porém, é um tipo de filho que não aceita pais solteiros, nem produções independentes. A “guarda compartilhada” é indispensável para a sobrevivência da espécie.

Como o amor é um ser vivo, que pode tanto crescer, como ficar doente e até morrer, ele também segue alguns comportamentos naturais, como a hibernação.

A maior redundância dos seres vivos é a busca pela sobrevivência. Para isso, sejam homens, animais ou vegetais, todos se adaptam às diferentes situações enfrentadas.

Os vegetais, por exemplo, trazem na sua memória genética um comportamento específico para sobreviverem ao frio, à escuridão e secos invernos. Enfrentam ventos fortes e tempestades, enganando a própria morte. Para uma árvore sobreviver a todas essas intempéries é preciso chegar ao estágio de dormência.

Quase um ritual de passagem, quando chega o outono as plantas começam a reservar energia e  já não alimentam mais as folhas, que lentamente perdem a cor, o brilho e caem…. O tronco começa a receber menos água o que faz as cascas ficarem grossas e retorcidas… A espécie chega a um estado de infertilidade absoluta e visualmente desagradável. Os galhos secos e já sem volume anunciam a morte. Assim, aquela árvore enfrenta o inverno. Quieta, apática. Movida pela paciência e a certeza de que por mais intensa que sejam as adversidades, elas hão de passar. Porque depois de todo inverno vem a primavera e com ela, o despertar para um novo ciclo, com folhas ainda mais viçosas e flores e frutos em abundância.

Alguns animais também conhecem muito bem a hibernação. Vítimas de tempo seco e baixa temperatura vêem seu alimento coberto por grossa camada de neve. Para fugir do presságio é preciso se adaptar. Os ursos passam toda a estação anterior se alimentando em excesso. A construção de uma espessa camada de gordura servirá como isolante térmico e fonte de caloria para a nutrição durante o período de hibernação. Eles procuram cavernas e lá se escondem durante todo o inverno em estado de sonolência e inatividade. A impressão é que todos os ursos morrem no inverno. Ninguém os vê. Mas basta a neve derreter e o urso já magro e abatido toma o pouco de energia que lhe restou para recuperar o peso e o ânimo e voltar  à sua vida normal.

Já em relação ao amor, percebemos o carma do extremismo, ou amo, ou não amo, ou sou amado, ou já não sou mais. Fragilizamos demais o amor e esquecemos que ele também pode hibernar-se, entrar em um estágio letárgico, como uma defesa às intempéries da vida. O amor também enfrenta seus invernos, seja a frieza do outro, a dureza do tratamento, a falta de carinho, de afeto, o distanciamento, o egoísmo.

Então, em vez de compreender como esse amor reage a tudo isso, preferimos precipitar a sua morte. E todo o tempo que passamos em luto desse amor morto, talvez fosse o tempo dele sair da caverna e desabrochar novamente.

Sim, o amor morre, mas também pode durar para sempre. Porém entre a vida e a morte, existe o estágio de hibernação. Precisamos é ter a mesma convicção e paciência que a natureza ensina para os pequenos seres.

 

*15.07.2011 – Hoje eu escrevi o melhor texto da minha vida (até hoje, é claro)

Renato Lima – renato.mart@gmail.com

 

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 15/07/2011, em Mood e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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