O fim da era dos Bons (e também dos Ruins)

Houve um tempo em que o mercado de trabalho, assim como a sociedade, era classificado entre “Bons e Ruins”. Como uma releitura darwiniana, o capitalismo selecionava taxativamente aqueles que conseguissem resistir nessa disputa sangrenta e velada. Para muitos, o adjetivo “Bom” era medido em dor e sofrimento. Para ser bom era preciso passar noites em claro e vencer o sono para estudar mais que os outros, era também passar fome e superar os limites físicos para treinar mais que os outros. Ser bom era se privar de lazer e de outros prazeres lícitos (e alguns até ilícitos). Assim, os “Bons” pararam de disputar com os “Ruins” e começaram a disputar entre si. Na sociedade dos bons engana-se quem acha que o importante é ser o melhor. Vence aquele que for “Apto”.

Então, deu-se início a Era dos “Aptos” e “Inaptos”. Esse ensaio é empírico sim. Desprovido de qualquer base científica, mas cheio de observações colhidas pessoalmente no comportamento, não do mercado mundial do trabalho, mas daqui bem de perto. Basta olhar do lado e perceber o quanto o fundamento é consistente. É isso mesmo: não basta ser bom. É preciso ser apto. Quer ver um exemplo prático? Você estudou. Dedicou-se anos na escola ou faculdade, esteve sempre entre os melhores da turma, mantendo regularidade nas notas (sempre acima da média), então todos em sua volta te convencem de que você é bom. Com toda essa fé, você estufa o peito e vai para o mercado de trabalho. Se depara em uma dinâmica de grupo, logo depois de ter impressionado na entrevista. Nessa dinâmica o olhar do Bom já subestimou os concorrentes, entre eles um velho conhecido que teve uma vida menos disciplinada que a sua, por isso, tem menor mérito de conseguir o emprego. Mas é justamente nessa dinâmica de grupo que o desleixado faz a diferença e abocanha a sua vaga de emprego para ser vendedor. Oras, como ele conseguiu isso sem diploma e certificados? Talvez tenha se especializado em vendas treinando boas mentiras para enganar os pais ou enrolar a namorada. Aprendeu a malícia da rua para nunca ser enganado, a conversar com pessoas de todas as tribos sociais e econômicas, toda essa articulação extracurricular fez do candidato que não era bom, Apto para exercer a função! Quando digo que não basta ser bom, é preciso ser apto, é porque o mercado já sabe que “perfil” ele quer. Não é mais um currículo bem preenchido que garante uma boa impressão, mas as habilidades pessoais (baseado em todo o conhecimento adquirido) que você usa para mostrar capacidade de resolver problemas e otimizar resultados positivos com criatividade e flexibilidade, gerando sinergia. Ainda está preocupado se você se enquadra entre os bons ou os ruins? Que tal se preparar mais para estar apto ao que você almeja. Apto para atingir o alvo!

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 29/03/2011, em Portifólio e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Rê a mais pura realidade não é mesmo! Excelente texto e visão do mercado de trabalho nos dias de hoje! Isso é uma realidade na TV, a pessoa entra editor e morre editor se ele não se adaptar….

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