Bipolaridade a muleta da moda

Vamos falar de um comportamento que tem me chamado muito a atenção ultimamente. Mesmo se tratamento de um distúrbio, transtorno, muitas pessoas tem se apegado a ele como um “bichinho de estimação”. É o transtorno bipolar de humor ou afetivo. Muitas pessoas usam a bipolaridade como muleta para justificar outros comportamentos que já conhecemos bem…. quer ver um exemplo:

“Sou bipolar, logo posso te mandar tomar no cu e em seguida  dizer que te amo. E você ainda não tem o direito de ficar bravo, a final, sou bipolar!”

Eu chamo isso de frescura, má educação, falta de apanhar na cara, desrespeito! Mas é chique chamar de “bipolaridade”. Assim como é chique ter problemas psicológicos, ou vai dizer que nunca viu alguém que faz questão de dizer que tem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)? Viu como é!

Góllum Eufórico!

Mas foi um personagem da trilogia Senhor dos Anéis que me deu a melhor definição e esclareceu o que realmente é o Transtorno Bipolar. O pequeno Hobbit, que ao encontrar o Anel do Poder, alternava sua identidade entre Gollum e Smeagol! Com direito a mudança de voz, expressão facial e até pronomes….. Despertando no espectador momentos de raiva alternando com compaixão!

A Psicologia define o distúrbio bipolar como uma forma de transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca, hiperatividade e grande imaginação, e uma fase de depressão, inibição, lentidão para conceber e realizar ideias, e ansiedade ou tristeza. Juntos estes sintomas são comumente conhecidos como depressão maníaca.

É relativamente comum (mas não tanto), acometendo aproximadamente 8 a cada 100 indivíduos, manifestando-se igualmente em mulheres e homens.  E diferente do que as pessoas pensam, não pode ser “adotado” a bel prazer. O transtorno bipolar do humor tem uma importante característica genética. Ou seja ou você nasce com ele ou adquire como efeito de um trauma.

Um terço dos indivíduos manifestará a doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, com

Smeagol Depressivo

muitos casos de mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos. Raramente começa acima dos 50 anos, e quando isso acontece, é importante investigar outras causas.

Exemplo de como um paciente se sente

…Ele se sente bem, realmente bem…, na verdade quase invencível. Ele se sente como não tendo limites para suas capacidades e energia. Poderia até passar dias sem dormir. Ele está cheio de idéias, planos, conquistas e se sentiria muito frustrado se a incapacidade dos outros não o deixasse ir além. Ele mal consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele se aborrece para valer, não se intimida com qualquer forma de cerceamento ou ameaça, não reconhece qualquer forma de autoridade ou posição superior a sua. Com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido negativo como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais lhe causam agora prazer; mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento são para ele amistosas e bondosas.

Mas no fundo, em menor escala, acho que todo mundo tem um pouco de Smeagol e Gollum…. Muitas vezes somos surpreendidos por nossas próprias reações diante de muitos “Anéis Preciosos” que aparecem na nossa frente! Na verdade isso não tem nada de bipolaridade, mas sim do mal que habita dentro de todos os homens! Cabe a nós reconhecer e controlá-lo e não renomeá-lo e usá-lo como muleta!

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 04/01/2011, em Mood e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Haha.
    Doenças da moda. Ótimo post.
    É mais fácil fazer um sobre a hipocondria. As pessoas estão sempre achando que estão com algo, seja da moda ou não, mesmo quando não estão.

  2. Amei seu comentário. Acho que, sob a capa da doença, ninguém tem o direito de extrapolar… o que muita gente tem feito. Exatamente como falou: “tenho o direito de fazer o que quiser, afinal sou doentinho”. Calma aí! E a questão da educação, dos bons modos? E o caráter, a índole, como ficam? Incontrolável? Em um momento imploram piedade porque são pobrezinhos e no outro avançam contra você como feras? Não posso crer que uma doença seja a única responsável por isso. Um bipolar necessita auxílio e autocontrole… daí tratamento e medicação. Agora, essa doença “da moda” ser a desculpa para atitudes execráveis cometidas por “pacientes” vai uma distância muito grande…
    Apoio sua sinceridade.

  3. Oi, tudo bom?
    Bacana seu post, concordo que nem todo mundo que diz ter bipolaridade realmente tem.
    E pra quem tem é um saco ficar ouvindo que hoje em dia o mundo todo é bipolar.
    Mas quando for escrever sobre algo, pesquise um pouco mais.
    Depressão maníaca é algo que simplesmente não existe! São duas palavras totalmente contrárias.
    Quem tem bipolaridade tem mania E depressão. Não depressão maníaca.
    E sim, existe a possibilidade de sintomas de mania e depressão ao mesmo tempo, mas o nome disso é Episódio Misto, não depressão maníaca.

  4. Muito bom! Muito bom mesmo! Eu sou bipolar (clinicamente constatado e laudado, para constar! rsrsrs) e é assim mesmo que eu fico quando não estou controlado. E é muito importante ter a consciencia de que todos nós temos nossos dias de cão, e nossos dias de calmaria; o que não tem nem de longe a ver com bipolaridade! E no caso de suas “manifestações maniaco-depressivas” serem realmente fruto de bipolaridade, faça um tratamento com especialista em psiquiatria, associado a psicoterapia e tudo se resolve. Em alguns -a maioria, na verdade- precisa-se do uso de antidepressivo para controle das crises. Fora isso, você é uma pessoa normal, como qualquer outra! Nada de usar a bipolaridade (que é algo sério) como desculpas para apertar o ‘botão do foda-se’ e chutar o pau da barraca! O blog já está nos meus favoritos, e encontrei este justamente porque vou falar sobre bipolaridade no meu blog tb, e achei realmente o smeagol tb perfeito para representar a bipolaridade.

    • Também tenho transtorno bipolar e já experimentei os dois extremos, apesar de que os quadros depressivos foram muito mais exacerbados do que os de euforia. Porém, uma vez chegando às medicações corretas, nas doses certas (cada organismo reage de uma forma), há bastante tempo desfruto de um equilíbrio que me permite trabalhar, desfrutar de lazer, rir, brincar, me entristecer, ficar brava… como todo mundo. Em períodos de maior estresse, as doses de medicação, a retirada de alguma, o acréscimo de outra, até se faz necessário, mas raramente minha rotina precisa ser alterada. E, ao contrário dos tempos em que o equilíbrio de humor fugia do meu controle, hoje consigo identificar rapidamente que “algo diferente” está rondando e buscar ajuda antes que aconteça pra valer.

  5. Elke Eleuterio

    Você já respondeu? Bipolares do Brasil 2012, um projeto que você tem que participar! Essa é a primeira pesquisa nacional para levantamento do número de bipolares no Brasil. Sua participação é fundamental.
    Ajude a divulgar o projeto, junto a amigos e familiares, pode ser que existam pacientes entre seus amigos, e essa informação pode ser muito útil!

    O link para pesquisa pode ser encontrado na página do site Bipolar Brasil.

    Muito grato!

    Will Brasil – Estou certo do seu apoio nessa…

    (Preencha com seu nome, email e http://www.bipolarbrasil.net)

  6. Eu poderia xingar quem postou isso de mil palavrões diferentes (afinal, sou bipolar) e depois pedir desculpas. Mas não vou pq quem escreveu não tem a menos noção da doença e muito menos do assunto, e só pra não deixar a “modinha” escapar (visto a falta de informação, no mínimo pegou a idéia de algum outro blog) vomitou esse monte de asneira aí de cima. Poderia ter falado de pessoas que se aproveitam de uma doença, mas não querer caracterizá-la ou falar dela como se tivesse o domínio ou soubesse seu nome (depressão maníaca é o que a sua mãe tem..)Rapaz, só te digo uma coisa: Desejo que voce tenha ao menos 1 dia na pele de um bipolar, e com o mesmo ódio que escrevo aqui, voce se retifique nas palavras quando souber o que passamos. E se me desejar em dobro o que te desejo, te agradeço. Não chega aos pés do que passo diariamente baby. Puro preconceito.

  7. Eu tenho o transtorno afetivo bipolar. Há muitos anos. É um segredo que mantenho bem guardado há sete chaves.

    Mas os meus amigos mais íntimos, uma turma que anda junta desde os tempos do colegial (lá se vão mais de vinte anos) SABEM do meu problema, mas parece que não compreendem muito bem.

    Há algum tempo atrás, pouco depois de um surto de mania que eu tive, eu comecei a mergulhar de cabeça em uma religião que recomendava: afaste-se do mal. Eu peguei essa orientação e comecei a bloquear no Facebook todas as pessoas que contrariavam minhas orientações religiosas.

    Como meus amigos costumavam mandar fotos de mulher pelada, o que vai contra as orientações da igreja, eu resolvi bloquear alguns deles. Além disso, mandei um e-mail furioso para um dos integrantes da turma porque ele é usuário de maconha.

    Quando essa minha onda de irritação passou eu procurei por esse meu amigo de novo para conversar e reatar a amizade. Expliquei pra ele que eu sou bipolar e que meu humor varia. Ele nem quis saber. Mesmo sendo formado em psicologia, ele disse que sabia que eu não estava em surto porque eu, na época do bloqueio, ainda estava em condições de trabalhar e, portanto, não podia estar sob efeito da doença. Disse que eu estava me escondendo atrás do diagnóstico.

    Eu não respondi a ele, nem vou explicar nunca, porque não quero prolongar o papo, mas eu não estava me escondendo atrás do diagnóstico pelo simples fato de que EU TENHO A DOENÇA. E existem estados mais “leves” da mania, como a hipomania, que não significam que o sujeito esteja são. Quando eu mergulhei “de cabeça” em uma religião, eu não estava necessariamente com meu juízo perfeito.

    Eu entendo o que o Renato quer dizer quando diz que há pessoas escondendo a falta de educação ou grosserias atrás do transtorno bipolar. Mas há casos como o meu, de gente cujo humor varia e que podem ter reações intempestivas. Agora, realmente, é pedir demais aos simples “mortais” que compreendam a complexidade da nossa doença. Cada um saberá qual o seu limite.

    Renato, se me permite, estou divulgando um blog que criei sobre o Transtorno Bipolar de Humor e vou deixar aqui o link:

    https://oquenaotecontaramsobretranstornobipolar.wordpress.com/2016/05/18/uma-mensagem-deste-blog-para-voce-que-sofre-de-tbh/

    Obrigado

  8. Luciana Monteiro

    Dizer que tem transtorno bipolar é “chique”? De onde veio isso? Sou bipolar, poucos do meu convivio sabe. Essa doença afeta TODAS as esferas da minha vida: pessoal, profissional, amorosa, …. Além de tomar 5 remédios por dia, faço terapia. Já perdi muito durante crises. Sou consciente que tenho que me tratar para viver bem e estou estável há alguns anos…. agora, dizer que é “chique” ser bipolar… pelo amor de Deus!

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