Lição de Vida – The Color Purple

Quando um único roteiro consegue ser unânime na literatura, no cinema, na Broadway e na música. Quando consegue

Alice Walker

reunir os melhores profissionais e os maiores prêmios. Quando resiste ao tempo. Durante 25 anos (um quarto de século) consegue manter-se fresco, com vigor, atual e inédito. Mesmo assim ainda faltam palavras para descrever o que é The Color Purple. Mas sobram emoções para sentir A Cor Púrpura.

Tudo começou em 1982, com o lançamento do livro The Color Puple, da escritora afro-americana, Alice Walker. A obra é uma composição de cartas entre duas irmãs que foram separadas e cada capítulo começa com a mesma frase que acompanha a personagem Celie durante toda a trama “Dear God” (querido Deus). Aos 14 anos, Celie e sua irmã mais nova Netie perdem a mãe e a primogênita é forçada a substituir o papel da mãe por completo, inclusive dando a luz a duas crianças, engravidada pelo próprio pai. Uma história de dor, sofrimento, injustiça a luz da realidade da mulher negra, cristã e pobre. Mas também uma história de superação da discriminação sexual, racial e cultural. A obra literária de Alice Walker resultou no Pulitzer, o maior prêmio internacional de literatura.

Três anos depois, Steven Spielberg adapta o roteiro para o cinema e lança o filme The Color Purple, em 1985, com o melhor elenco negro da história: estrelando ninguém menos que Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey, ao lado de Danny Glover e Margaret Avery. O filme foi indicado a 11 estatuetas do Oscar e a 5 Globo de Ouro.

Livro que deu origem ao filme de Steven Spielberg

Mas Color Purple ainda podia mais…. a qualidade do roteiro parecia ser infinita, e era. Em 2006, Oprah Winfrey, que interpretou a personagem Sofia no filme de Spielberg, levou o roteiro para a Broadway, patrocinando uma montagem inédita chamada “um musical sobre o amor”, lançando uma das maiores performances da história da Broadway, I´m Here, uma música interpretada pela atriz Jeanette Bayardelle e no ano seguinte pela vencedora do Americal Idol, Fantasia Barino, que sintetizava na letra toda a essência de A Cor Púrpura. Mostrando através de um exemplo de vida como é possível ser feliz, contrariando o próprio destino. Na Broadway, The Color Purple levou o Tony Award, o maior prêmio da categoria.

A impressão que se tem depois de ler o livro, ver o filme ou assistir ao espetáculo na Broadway (ao então fazer tudo isso, como foi o meu caso) é “Como eu vivi sem isso”?

Voltando ao filme, encontrei a cena (bárbara) onde a personagem de Celie (Whoopi Goldberg), faz a grande virada. Uma cena tensa, com entrosamento perfeito entre Whoopi, Danny e a irreconhecível e inchada Oprah (como Sofia) dão uma realidade profunda à trama. O texto é primoroso, preste a tenção na fala que começa no minuto 7’50’’, quando ela decide enfrentar todos os seus medos.

Celie diz : “Tudo o que você fez, você já fez contra você mesmo. Eu posso ser negra, mulher, talvez até feia, mas obrigado Deus, Eu estou aqui! Eu estou aki!

Voltando à Broadway, a letra de I´m Here é quase um estilo de vida, um oração, um clamor de amor e superação. I´m Here trata da descoberta da própria existência do ser humano. Celie, descobre que ela existe, que não é um animal, nem um objeto e quando ela descobre quem ela é. Então tudo começa a mudar. Acho que esse é o grande segredo da vida, descobrir quem nós somos! Não o que os outros dizem que somos. Segue a tradução abaixo do vídeo:

Eu não preciso que você me ame.  Eu não preciso de você para amar.
Eu tenho. . . Eu tenho. . .
Eu tenho a minha irmã. Eu posso sentir ela agora, Ela não pode ser aqui, mas ela é minha ainda. Eu sei que ela ainda me ama.
Tenho meus filhos. Eu não posso segurá-los agora, Eles podem até não estar aqui, mas são meus ainda. Espero que eles saibam que eu ainda amo eles.
Tenho minha casa. Que ainda mantém o frio lá fora.
Tenho a minha cadeira. Quando o meu corpo não puder me agüentar mais.
Tenho minhas mãos. Fazendo o bem como elas foram designadas.

Mostrando o meu coração para as pessoas que estão perto.
Tenho meus olhos. Embora eles não vêem tão longe como antes.

Mas agora eles vêem as coisas como realmente são.

Eu vou respirar fundo.
Vou manter minha cabeça erguida.
Vou dar as costas.

E olhar diretamente nos olhos.
Eu vou flertar com alguém
Quando ando por aí.
Eu vou cantar alto. Cantar alto…

Eu acredito que eu tenho dentro de mim, Tudo o que eu preciso para viver uma vida abundante. Com todo o amor vivo em mim.
Vou ficar tão alto como a árvore mais alta.
E eu sou Grato por cada dia que estou determinado,
Ambas, as mais fáceis e difíceis que eu estou vivendo.
Mas acima de tudo, Eu sou grato por Amar quem eu realmente sou.
Eu sou linda. Sim, eu sou bonita, E eu estou aqui.

O que é A Cor Púrpura ?

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Sobre Renato Lima

Jornalista, psicólogo, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 12/06/2010, em Cult & Filmes e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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