Geração Sheldon

Responda rápido: Você acredita que existe amizade verdadeira entre dois homens? Ok. E porque a mesma resposta não é unânime quando a pergunta se refere a existência de amizade sem interesses escusos entre um homem e uma mulher? …. Cri!… Cri!…

Na infância o senso comum apregoa a máxima “meninos convivem com meninos” o oposto com seus pares. Os relacionamentos sociais são homogêneos, resumindo, cada um no seu quadrado.  Estabelecem-se dois mundos o cor-de-rosa e o azul, imiscíveis! Já na adolescência…. Ocorre a ruptura para um mundo mais heterogêneo  e ocorre a queda do muro de Berlim SOCIAL. Portadores do cromossomo XY iniciam uma busca por contato com XX.  O instinto natural humano explica o fenômeno. Nesse momento se relacionar apenas com pessoas do mesmo sexo é sinal de preocupação de muitos pais!

Enquanto ser hétero, homo ou bissexual tem sido um conflito social, sexual e pessoal diversos indivíduos, culturas e religiões. Surge mais uma nomenclatura que com certeza não irá ajudar a desembolar o novelo, são os ASSEXUADOS.

PAUSA PARA DEFINIÇÃO: Assexualidade é a idéia de orientação sexual caracterizada pela indiferença à prática sexual, ou seja, o assexual é um indivíduo que não sente atração sexual, tanto pelo sexo oposto quanto pelo sexo igual.

VOLTANDO AO POST: O assunto parece menos assustador quando simbolizado pelo personagem de Jim Parson no seriado The Big Bang Theory, o irritantemente metódico Dr. Sheldon Cooper.  Um físico teórico com 187 de QI, que obteve PhD aos 16 anos de idade, alto nível de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo),  aparentemente “saudável” e “normal” não se encaixa no perfil que as pessoas imaginam como assexuado.  Fato é que o seriado chegou à terceira temporada e todos os outros personagens já se relacionaram sexualmente com alguém (gratuitamente ou pagando), porém nada mexe mais com a libido de Sheldon que fórmulas matemáticas.

A polêmica chegou até os ouvidos do produtor do seriado da seguinte forma:

Sheldon é gay?

O biótipo delicado, magro, alto, traços nada embrutecidos, pele clara, nariz e lábios afilados que indicam traços femininos. Somado ao comportamento delicado e contido (não se coça, não cospe no chão, não joga futebol), ao excesso de polidez no vocabulário. Seria o rótulo perfeito para enquadrá-lo como Gay! Mas guarde os rótulos, não é tão simples assim!

Chuck Lorre, produtor-executivo de The Big Bang Theory, respondeu à Entertainment Weekly um dos grandes mistérios que cercam a série: afinal, Sheldon é gay? Segundo ele, num questionário sobre orientação sexual, melhor seria colocar na categoria “outros”.

“O foco dele é inteiramente o trabalho. Outro jeito de analisar seria com ‘realidade alternativa’. Personagens como Sheldon são atraídos por um mundo paralelo que pode ser mais confortável que este em que vivemos. E por que mudar isso? Por que o personagem não pode ser único assim?”, questiona Lorre.

Como cresce a pressão para arrumar uma namorada para Sheldon, o ator Jim Parsons também fala do caso. “Eu entendo o ponto de vista de Chuck; tudo o que Sheldon quer é um Nobel. Esse seria o abraço quente que ele tanto deseja. Se eu acho que ele pode pender para algum lado um dia? Não sei dizer. De qualquer modo, isso manteria aberto para ele um mundo de possibilidades.”

Lorre conclui: “Se tocar outros seres humanos é tão irrelevante para ele, por que rotular? Por que não pode haver um terceiro gênero? Macho, fêmea e Sheldon…”.

Se a assexualidade de Sheldon seria uma evolução da espécie humana eu não sei. Mas a pergunta é, Quantos Sheldons não existem por ai?

Assexualidade já virou pesquisa científica!

Enquanto muitos pensam que isso não passa de “viadagem”, uma pesquisa de opinião no Reino Unido sobre sexualidade incluiu uma pergunta sobre atração sexual, e 1% dos entrevistados responderam que “nunca se sentiram atraídos sexualmente por absolutamente ninguém” (Bogaert, 2004).

Já um estudo feito com cordeiros chegou ao resultado de que cerca de 2% a 3% dos indivíduos estudados não tinham interesse aparente em acasalar com sexo algum. Outro estudo, foi feito com ratos e gerbils, em que até 12% dos machos não mostraram interesse nas fêmeas. Contudo, como suas interações com outros machos não foram medidas, o estudo é de uso limitado no que toca à assexualidade (Westphal, 2004).

Na Ficção

Sheldon não é o primeiro personagem Assexuado retratado na ficção. Na série original de TV Doctor Who (1963–1989), o Doutor quase sempre era retratado como assexual apesar de sua regular companhia de mulheres jovens e atraentes.

O negócio é tão sério que nos Estados Unidos criaram um site para reunir pessoas com este perfil sexual, ou melhor, a ausência dele. É o http://www.asexuality.org

De acordo com o fundador da Asexual Visibility and Education Network, uma das principais comunidades online de assexuais (abreviada como AVEN). Nesse sistema, assexuais são divididos em tipos de A a D.

A –  tem direção sexual, mas sem atração romântica,

B  – tem atração romântica mas não tem direção sexual,

C – tem ambos, e o tipo D, nenhum. As categorias não significam que são inteiramente discretas ou “escritas na pedra”; o tipo de uma pessoa pode mudar, ou pode-se estar na fronteira entre dois tipos. Note que a própria AVEN não usa mais esse sistema, já que ele é muito exclusivo, mas um número de assexuais ainda a sentem como uma ferramenta útil para explicar sua orientação.

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 19/02/2010, em Cult & Filmes e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Uau, bateu no calo agora, hein? No meu calo, claro…

    Bom, não acredito mesmo que uma pessoa pode ser assexuada. O que acontece é que: A sexualidade é uma força, também chamada de libido e, por vezes, a libido pode ser investida em outras coisas além do sexo.

    Não assisto o seriado, mas pela descrição, a libido dele está toda investida no TOC e nos estudos. Ou seja, a libido dele está totalmente voltada pra ele mesmo, um auto-erotismo, o que me lembra MUITO psicose. Na neurose, é muito difícil o sujeito resistir à abstinência.

    Freud fala: A meu ver, a satisfação sexual é a melhor proteção contra a ameaça que as disposições inatas anormais ou os distúrbios do desenvolvimento constituem para uma vida sexual normal. Quanto maior a disposição de um indivíduo para a neurose, menos ele tolerará a abstinência.
    Ou seja, ele acreditava que parte da libido poderia ser sublimada, mas uma parcela deveria ser saciada no sexo em si…

    Já Lacan fala (não exatamente nessas palavras e também não lembro onde): Se eu estou escrevendo, não estou trepando.
    Logo, acreditava que o sujeito na neurose poderia sim sublimar toda sua libido. Não ter nenhuma relação sexual, mas daí não ter nem interesse?

    Pra mim, a descrição desse moço foi muito mais de um funcionamento psicótico com alto grau de auto-erotismo do que uma pessoa assexuada. Mesmo porque não acredito nisso…

    MUAH!

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