Entre o sim e o não, só existe um caminho!

Certa vez uma ucraniana radicada no Brasil, esposa de um diplomata e apaixonada por gatos disse “ENTRE O SIM E O NÃO, SÓ EXISTE UM CAMINHO:  ESCOLHER”.

Em uma frase simples, objetiva e curta, Clarice destrói um dos maiores mitos do ser humano: a liberdade (no conceito total e universal).

Sentimos o poder de fazer escolhas, como ato de manifestar autonomia sobre nosso futuro. Quando na verdade nos enganamos e apenas seguimos o curso do rio. Quando se há apenas um caminho, é porque já não há a possibilidade de escolha, logo essa autonomia não existe.

Na verdade estamos condicionados a sempre fazer escolhas entre sim ou não, ir ou ficar, comprar ou vender, fazer ou não fazer, esta ou aquela… essa dualidade da vida que nos persegue nos impede simplesmente de escolher.  Afinal, porque eu não tenho o direito de simplesmente não escolher?  E se eu não quiser optar nem pelo sim, nem pelo não… mas escolher um talvez???

Clarice Lispector não mentiu, pelo contrário, abriu os olhos para o sistema que nos molda e nos coloca no trilho…. ficamos tão preocupados em qual vai ser a melhor escolha, entre o sim e o não que esquecemos do fato de que somos “obrigados” a escolher!

E… nos vemos no final, simplesmente como “Resultados das nossas próprias escolhas”, nada mais nem menos que isso. Não somos resultado das escolhas dos outros. O que eu não sei é qual seria o resultado da não escolha!

UM POUCO MAIS DE CLARICE LISPECTOR (citações)

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas…

continuarei a escrever”

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”

“E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano”

“Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós”

“Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar”

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato… Ou toca, ou não toca”

“Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação”

“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro”

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 26/01/2010, em Mood. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Uma mulher como essa deve ser universalmente imortalisada. Daí todo o mundo poderia dizer eu tenho um Q de Clarice Lispector.
    O seu texto é a mais pura verdade. As vezes tenho vontade de escolher não escolher, nem sempre é possível.

  2. tem ..pessoas que escreve…não só o que sentimos…mas o que somos…como se lesse nossa alma…<3

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