Normalopatia sua próxima doença!

20102009146-002Uma fugaz conversa em dois lances de escada foi suficiente para uma profunda meditação (ainda que superficial) sobre o assunto que vira tema deste post:  NORMALOPATIA.

Bom, o palavrão em questão é auto-explicativo, levando-se em conta o sufixo nominal de origem grega que traduz a ideia de estado passivo de sofrimento, mal, doença, dor aflição, etc e tal com a ajuda do Houaiss. Chegamos ao diagnóstico: Ser normal é uma doença!

Fato é que os Normalopatas estão em extinção e a Normalopatia não é congênita e nem é transmissível (ufa!)…. Mas entre os sintomas o maior deles é a rotina (considerando que a falta de rotina obrigatoriamente constitui-se em uma nova rotina)

Em vários momentos a humanidade (leia-se faixa etária entre 18 e 24 anos) tentaram ficar imunes à essa doença…. Woodstock foi uma das grandes injeções, transgredir a normalidade era ordem primordial para não contrair a doença. Fumar em público, usar entorpecentes ilícitos, colocar piercings e fazer tatoo aumentavam a imunidade desses humanos à normalopatia.

A grande questão… em questão, é:  Aquilo que as pessoas buscam fazer para não ser normais, hoje transformou-se em coisas normais… ou seja, as práticas acima estão normalizadas e perderam o poder de fazer o ser humano ser diferente…. E agora?

Nesse raciocínio os normais de antigamente se fortalecem como os diferentes, logo, estão imunes à Normalopatia.

Gostou do assunto? Quer saber mais?

Diante da afirmativa encontrei um texto interessante do colunista da Folha de São Paulo, João Pereira Coutinho, fala: “Uma parte da medicina moderna acredita na ideia, pessoalmente aberrante, de que deve existir um padrão de “equilíbrio comportamental” para definir um ser humano harmonioso, realizado e feliz. A American Psychiatric Association, resolveu rever o manual de “Diagnósticos de Desordem Mental” (publicado em 1952) . O manual pretende agora incluir novas “doenças” mentais, em sintonia com o espírito do tempo. Exemplos?

Para começar, existem “doenças” relacionadas à alimentação. É o caso da “binge-eating disorder” e da “night-eating syndrome”. Em linguagem de gente, a primeira refere-se a uma compulsão excessiva para comer mais do que o estritamente necessário; a segunda pretende diagnosticar, e tratar, o gosto perverso por assaltar a geladeira depois da meia-noite.

Mas a lista de novas “doenças” não fica por aqui. O vício pela internet e pelo e-mail (“internet addiction”); o gosto por vários parceiros sexuais, em sucessão ou em simultâneo (“sex addiction”); a compulsão “terapêutica” por compras (“compulsive shopping”); a fúria incontrolada e muitas vezes injustificada (“embitterment disorder”); o preconceito perante a “diferença” (“pathological bias”); e mesmo a tendência idiossincrática para colecionar materiais diversos (“pathological hoarding”), nada escapa à inquisição psiquiátrica. No mundo moderno em que vivemos, a única doença tolerável é mesmo a normalopatia.

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Sobre Renato Lima

Jornalista, estudante de psicologia, mochileiro e observador de comportamento.

Publicado em 03/11/2009, em Mood. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Alex de ‘Laranja Mecânica’ sentia-se completamente realizado com seus ‘afazeres’ noturnos. Claro que não eram atividades condizentes com qualquer tipo de sociedade. Quando esta interferiu moldando-o, ou melhor, adequando Alex à comunidade, vimos a transformação de um jovem feliz em um objeto de estudos fracassado e transtornado. O exemplo acima pode ser peculiar, entretanto pontua bem o que é o senso da normalidade. O que de fato é ser normal pra você? Vivemos e devemos nos adequar ao social, por mais falsos que possamos ser em determinados momentos (vide Dexter, hehe) somos desde pequenos orientados a fazermos parte de um todo, agindo dentro de uma normalidade cada vez mais niilista e repugnante.
    A discussão é complexa e abrange campos como matrimônio, fidelidade, profissões, etc. Nem todos se adaptam à uma rotina controlada, visto que outro montante não se restringe em experimentar o desconhecido, mesmo que isso condiza com infringir leis. COmo disse anteriormente a discussão é complexa. Afinal, o que de fato é ser normal pra vc?

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